O deputado estadual André do Premium (União Brasil-GO) é investigado pela Polícia Civil de Goiás por suspeitas envolvendo duas empresas do setor de supermercados. Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles em 25 de agosto de 2026, a apuração envolve a possível transferência dos negócios para pessoas que seriam utilizadas como “laranjas”, além de registros empresariais em endereços que não corresponderiam aos estabelecimentos.

As empresas citadas são a Premium Comércio de Alimentos Ltda., que funcionou entre 2015 e 2022 em Senador Canedo, e a Atacadão Premium Comércio de Alimentos Ltda., ativa desde 2022 em Santo Antônio do Descoberto, no Entorno do Distrito Federal. Juntas, segundo a reportagem, elas acumulam mais de R$ 24,6 milhões em dívidas fiscais.

Suspeita de uso de “laranjas”

As investigações do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Estado de Goiás (CIRA-GO) apontam que as empresas estariam registradas em nome de Shaiane Ferreira Ferraz e Giulene Pereira da Silva.

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Segundo o relatório citado pelo Metrópoles, as duas mulheres não apresentariam capacidade financeira ou gerencial compatível com a administração dos negócios. A investigação deverá apurar também o patrimônio e o padrão de vida das envolvidas.

A reportagem aponta ainda que Shaiane aparece como beneficiária de um programa de aluguel social do Estado de Goiás, embora figure como responsável por uma empresa com capital social de R$ 100 mil.

Endereços também são investigados

A denúncia que deu origem à apuração foi apresentada de forma anônima em 2024. Segundo o relato, um dos endereços registrados em Senador Canedo corresponderia a um terreno baldio.

Outro endereço atribuído à empresa em nome de Shaiane estaria localizado onde funciona a Saneago, empresa responsável pelos serviços de água e esgoto em Goiás.

O caso também envolve um endereço em Santa Maria, no Distrito Federal, onde uma testemunha teria localizado Giulene. Ainda segundo a reportagem, o noivo dela teria afirmado que seria “impossível” que ela fosse proprietária dos negócios diante de sua condição financeira.

Investigação na Justiça comum

Como as suspeitas estão relacionadas à atividade empresarial privada de André do Premium e não diretamente ao exercício do mandato parlamentar, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) determinou que o caso tramitasse na Justiça comum.

No dia 8 de agosto, o juiz André Nacagami determinou o encaminhamento da investigação para a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DOT).

A Polícia Civil deverá aprofundar a apuração, analisando movimentações financeiras, patrimônio e padrão de vida dos envolvidos, além de ouvir o deputado e outras pessoas relacionadas às empresas.

Quem é André do Premium

André Luiz Gomes Gontijo, conhecido politicamente como André do Premium, é deputado estadual em Goiás e possui sua principal base eleitoral no Entorno do Distrito Federal, especialmente em Santo Antônio do Descoberto, município onde construiu sua trajetória política.

O nome “André do Premium” está relacionado ao Atacadão Premium, empreendimento pelo qual ganhou notoriedade antes de ingressar na política.

O deputado é casado com a prefeita de Santo Antônio do Descoberto, Jéssica do Premium, também do União Brasil.

André disputa a reeleição para deputado estadual. Segundo declaração apresentada à Justiça Eleitoral, ele possui duas casas e 12 veículos, com patrimônio declarado que soma aproximadamente R$ 2,3 milhões.

Outro episódio envolvendo jornalista

A reportagem do Metrópoles também relembra que, em maio de 2025, André do Premium foi acusado de ameaçar o jornalista Ronaldo Chaves por meio de mensagens.

Na ocasião, segundo o portal, o parlamentar teria feito ameaças e afirmado que iria “para cima” do jornalista com “gás ou veneno”. André reconheceu as ameaças, mas afirmou que não teria tomado nenhuma medida contra o profissional.

O outro lado

O deputado André do Premium foi procurado pelo Metrópoles para apresentar sua versão sobre a investigação, mas não havia se manifestado até o fechamento da reportagem.

As mulheres citadas na investigação também não tiveram suas defesas localizadas pela reportagem.

O espaço permanece aberto para eventuais manifestações dos envolvidos.

Agita Goiás: as informações acima são baseadas em reportagem publicada pelo portal Metrópoles em 25 de agosto de 2026. A investigação ainda está em andamento, e os envolvidos são considerados inocentes até eventual decisão judicial definitiva.