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A trajetória de muitos políticos começa longe dos grandes gabinetes. São pessoas que ganham espaço dentro de suas comunidades, passam a defender demandas dos moradores, assumem posições de liderança e, com o tempo, decidem disputar uma eleição.
Durante a campanha, apresentam propostas, fazem compromissos e pedem ao eleitor uma oportunidade para representar a população.
O problema aparece quando a eleição termina e a distância entre o representante e quem o elegeu começa a aumentar.
O mandato traz uma série de compromissos institucionais, reuniões e agendas. Tudo isso faz parte da atividade parlamentar. Mas nenhuma agenda deveria impedir o contato com a população ou tornar impossível o diálogo com a imprensa.
Afinal, quem ocupa um cargo público exerce uma função pública e, por isso, precisa prestar contas.
É nesse ponto que o jornalismo exerce uma função essencial.
Quando um político anuncia recursos, obras, investimentos ou projetos, a imprensa tem o direito de voltar ao assunto posteriormente e perguntar o que aconteceu. Quanto foi efetivamente destinado? Onde o dinheiro chegou? Qual obra foi realizada? Qual promessa avançou? O que ainda está pendente?
Fazer essas perguntas não significa atacar o agente público. Significa acompanhar aquilo que foi anunciado.
Existe uma situação bastante conhecida nos bastidores da comunicação: quando uma reportagem elogia um político ou divulga uma conquista, o contato costuma ser rápido. O editor recebe agradecimentos, elogios e mensagens de reconhecimento.
Quando a reportagem muda o tom e passa a cobrar uma promessa ou questionar o resultado de uma ação pública, a relação pode mudar completamente.
É justamente nesse momento que deveria existir ainda mais diálogo.
Se o político entende que uma informação está errada, pode apresentar documentos, explicar os fatos ou conceder uma entrevista. Se a reportagem precisar de correção, o veículo deve analisar a informação e corrigir aquilo que estiver comprovadamente equivocado.
Da mesma maneira, quando uma cobrança jornalística provoca uma resposta concreta, essa resposta também pode virar notícia.
O caso de Valparaíso de Goiás
Foi nesse contexto que surgiu a situação envolvendo o Agita Goiás em Valparaíso de Goiás.
No caso da deputada estadual Dra. Zeli, candidata a deputada federal, o questionamento do portal esteve relacionado a informações públicas sobre sua atuação e a recursos anunciados para o Entorno.
A própria publicação questionada no processo registra que a deputada afirma ter destinado quase R$ 100 milhões para Valparaíso de Goiás em dois anos de mandato. Diante de um anúncio dessa magnitude, é natural que surjam perguntas: onde esses recursos foram aplicados? Quanto chegou efetivamente ao município? Quais obras ou investimentos foram realizados? Quais resultados chegaram à população?
Essas perguntas, por si só, não representam acusação de irregularidade. São questionamentos jornalísticos relacionados a informações de interesse público.
A mesma lógica vale para o ex-prefeito de Valparaíso de Goiás, Pábio Correia Lopes, conhecido politicamente como Pábio Mossoró.
O questionamento apresentado pelo Agita Goiás esteve relacionado à obra de um viaduto na BR-040, no perímetro urbano de Valparaíso de Goiás. A publicação questionada registrou que havia uma promessa de entrega até 31 de dezembro de 2024 e que o prazo não havia sido cumprido.
A população tem o direito de saber qual foi o andamento do projeto, quais etapas foram executadas, quais investimentos foram realizados e qual é a situação da obra.
Mais uma vez, perguntar não significa condenar.
Cabe à imprensa levantar a questão e aos responsáveis apresentar os esclarecimentos.
O que diz a decisão do TRE-GO
A discussão chegou ao Tribunal Regional Eleitoral de Goiás por meio do processo nº 0601604-78.2026.6.09.0000.
No processo, Pábio Correia Lopes e Zeli Fritsche aparecem como representantes contra o Agita Goiás. O documento judicial registra expressamente que os dois têm o mesmo advogado: Danúbio Cardoso Remy Romano Frauzino, OAB/GO 24.919.
O fato é documental e está registrado no processo. Isso, por si só, não permite afirmar que exista acordo político, combinação ou atuação conjunta entre os dois.
Mas a informação merece ser conhecida pela população, principalmente diante das diferentes versões que podem circular sobre a relação política entre os envolvidos.
Se houve rompimento político, aproximação ou simplesmente uma atuação profissional comum neste processo judicial, cabe aos próprios envolvidos explicar.
O Agita Goiás não pretende criar uma versão sobre essa relação. O portal apresenta o que está documentado e deixa aos envolvidos o direito de esclarecer.
Mais importante ainda é o conteúdo da própria decisão judicial.
Ao analisar o pedido de retirada da publicação, o relator do TRE-GO afirmou que a remoção de conteúdo na internet é uma medida excepcional, especialmente durante o processo eleitoral, quando a liberdade de expressão e a crítica política têm importância para a formação da vontade do eleitorado.
Em relação a Pábio, a decisão registrou que a representação não demonstrou a falsidade das premissas objetivas utilizadas na publicação, incluindo a questão relacionada à promessa de entrega do viaduto até 31 de dezembro de 2024. O relator observou que a discussão sobre o cumprimento de promessas e a execução de obras públicas está diretamente relacionada à avaliação política de quem volta a disputar um mandato.
No caso de Dra. Zeli, a decisão foi ainda mais específica. O relator registrou que a publicação não afirmou que os recursos eram inexistentes, desviados ou que a parlamentar tivesse cometido algum ilícito. Segundo a decisão, o conteúdo se limitou a questionar quanto dos valores anunciados teria sido efetivamente executado e quais resultados alcançaram a população.
O TRE-GO concluiu, naquele exame preliminar, que se tratava de questionamento inserido no âmbito da crítica à atuação parlamentar e do debate eleitoral, não identificando afirmação factual cuja falsidade fosse manifesta.
Por esse motivo, o relator indeferiu o pedido de tutela de urgência para retirada da publicação. Também determinou que os representantes corrigissem a identificação do responsável pelo perfil do Agita Goiás antes do prosseguimento da representação.
Ou seja, o próprio documento judicial demonstra que a discussão não terminou com uma decisão determinando a retirada imediata da matéria.
Por que não responder diretamente à imprensa?
Independentemente do resultado final do processo, fica uma questão importante para o debate democrático: por que não responder diretamente à imprensa?
Um político pode discordar de uma reportagem. Pode contestar uma informação. Pode apresentar documentos. Pode conceder entrevista. Pode convocar uma coletiva e explicar sua versão para todos os veículos interessados.
Essa postura permite que a população conheça os dois lados.
E existe algo ainda mais importante: quando a resposta comprova que uma promessa foi cumprida, a própria imprensa pode reconhecer o resultado.
Se os recursos anunciados foram destinados, que os documentos sejam apresentados.
Se uma obra foi executada, que os resultados sejam mostrados.
Se um projeto avançou, que a população saiba.
E se determinado compromisso não foi concluído, também é legítimo explicar por que isso aconteceu.
O jornalismo não precisa transformar toda cobrança em confronto. Da mesma forma, o político não deveria enxergar toda crítica como perseguição.
A imprensa pode publicar uma reportagem crítica hoje e, amanhã, produzir uma matéria positiva mostrando uma conquista do mesmo político. Uma coisa não anula a outra.
O compromisso do jornalismo deve ser com a informação.
Em ano eleitoral, a cobrança aumenta
Em períodos eleitorais, essa responsabilidade se torna ainda maior. Políticos e veículos de comunicação precisam redobrar o cuidado com informações, documentos, contexto e direito de resposta.
Mas o ambiente eleitoral não deveria transformar toda pergunta em uma batalha judicial.
Quando existe erro, existe correção.
Quando existe dúvida, existe esclarecimento.
Quando existe discordância, existe direito de resposta.
E quando existe uma informação pública relevante para a população, existe interesse jornalístico em acompanhá-la.
Um político que confia no trabalho realizado tem uma ferramenta poderosa para responder à crítica: mostrar os resultados.
Pode apresentar números, documentos, obras, projetos e explicações. Pode reconhecer aquilo que não conseguiu realizar e explicar os motivos.
Aliás, admitir uma dificuldade ou reconhecer que uma promessa não foi cumprida pode ser mais transparente do que simplesmente evitar o debate.
Quem será avaliado nas urnas é o político
No fim das contas, quem será avaliado nas urnas não é o veículo de comunicação.
É o político.
A reportagem pode provocar discussão. Um processo pode se prolongar. Uma publicação pode permanecer disponível ou ser retirada. Mas o mandato continua sendo responsabilidade daquele que recebeu o voto da população.
É ele quem precisa prestar contas.
É ele quem precisa explicar suas decisões.
É ele quem precisa apresentar o que realizou.
E será ele quem novamente pedirá a confiança do eleitor durante uma eleição.
Por isso, a cobrança da imprensa deveria ser compreendida como parte do funcionamento da democracia, especialmente quando envolve promessas, recursos públicos, obras e declarações feitas pelo próprio agente político.
O Agita Goiás entende que seu papel não é proteger político, prefeito, deputado ou qualquer outro agente público. Também não é perseguir ninguém.
O papel do portal é informar, questionar, ouvir os envolvidos e apresentar os fatos para que o cidadão possa formar sua própria opinião.
Se houver uma resposta, ela deve ser publicada.
Se houver documentos, devem ser analisados.
Se houver resultados, devem ser divulgados.
Se houver uma promessa ainda sem conclusão, cabe aos responsáveis explicar a situação.
É assim que a relação entre imprensa, políticos e população deveria funcionar.
O jornalista pergunta. O agente público explica. A sociedade acompanha e tira suas próprias conclusões.
No caso do Agita Goiás, o compromisso continua sendo o mesmo: levar informação à população de Goiás de maneira clara, responsável e independente, mostrando as ações positivas dos gestores públicos, mas também fazendo as cobranças necessárias quando existirem questões que precisam de respostas.
Publicado por:
Redação Goiânia -GO
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