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Um estudo multicêntrico envolvendo 2.578 pacientes em todas as regiões do Brasil identificou que quase 60% dos brasileiros com hipertensão não aderem ao tratamento prescrito. Os resultados foram publicados na International Journal Science of Cardiology. O levantamento reuniu centros de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Sergipe e outras regiões. A hipertensão arterial é caracterizada pela elevação persistente da pressão sanguínea acima de 140/90 mmHg. O tema merece destaque neste Setembro Vermelho, que alerta para prevenção e combate às doenças cardiovasculares.
A cardiologista Lorena Rebouças, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, percebe em seu dia a dia o resultado da pesquisa citada e concorda que existe muita dificuldade em manter o tratamento. “Como a hipertensão geralmente não causa sintomas, a pessoa começa a tomar o remédio, a pressão melhora, ela pensa que está bem e abandona o tratamento. Mas, muitas vezes, ela está bem justamente porque o tratamento está funcionando”, destaca.
Outro problema apontado pela especialista é que muitos pacientes cuidam apenas do número da pressão e não mudam os hábitos que contribuem para o problema, como excesso de peso, alimentação inadequada, sedentarismo, consumo de álcool e sono ruim. “Hipertensão controlada por medicamento continua sendo hipertensão. Precisamos entender que controlar a pressão não é apenas tomar um comprimido. É reduzir o risco de infarto, AVC, doença renal e outros problemas ao longo da vida”, ressalta.
Doença silenciosa
Uma das questões de perigo da hipertensão é ser uma enfermidade silenciosa, pois na maioria das vezes não apresenta sintomas. “A pessoa pode passar anos com a pressão alta, sentindo-se bem, enquanto a doença vai prejudicando os vasos, o coração, os rins e o cérebro. Por isso, não devemos esperar sentir alguma coisa para medir a pressão”, alerta a médica. “Quando aparece um sintoma ou uma complicação, como um AVC ou um infarto, muitas vezes a doença já vinha evoluindo há bastante tempo. A hipertensão não costuma avisar. A única forma de saber se a pressão está alta é medir”, completa.
Lorena Rebouças salienta que não existe uma idade específica para começar a medir a pressão, pois o ideal é acompanhá-la ao longo da vida. Ela pontua ainda que a hipertensão não é um problema só de pessoas idosas, pode aparecer em adultos jovens e, em alguns casos, em crianças e adolescentes. “O risco aumenta com a idade, mas jovens com excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada, apneia do sono, doença renal ou histórico familiar também podem desenvolver pressão alta mais cedo. Por isso, medir a pressão deve fazer parte da avaliação de saúde, mesmo quando a pessoa se sente bem”.
Genética
Existe uma predisposição genética para desenvolver a enfermidade, ou seja, quem tem pais ou familiares hipertensos têm um risco maior. Contudo, mesmo quem não tem casos na família pode desenvolver hipertensão. “Genética é predisposição, não destino. Mesmo quem tem histórico familiar pode reduzir bastante o risco cuidando dos fatores que podem ser modificados. A hipertensão é uma doença multifatorial, depende de idade, alimentação, excesso de peso, consumo de álcool, sedentarismo, sono ruim, estresse e doenças renais”, esclarece a cardiologista.
A hipertensão é um dos principais fatores de risco para outros problemas que podem ser prevenidos. Quando a pressão fica alta por muito tempo, ela sobrecarrega o coração e danifica as artérias, isso aumenta o risco de AVC, infarto, insuficiência cardíaca, doença arterial periférica, fibrilação atrial, doença renal crônica e alterações visuais, inclusive cegueira. “Também existe uma relação com problemas de memória e demência. Controlar a pressão é cuidar do cérebro. Quando tratamos a hipertensão não estamos apenas baixando um número no aparelho, mas protegendo o coração, o cérebro, os olhos, os rins e os vasos sanguíneos”, pontua a médica.
Hábitos saudáveis
A prevenção da hipertensão depende dos hábitos diários. É importante manter um peso saudável, fazer atividade física regularmente, moderar o consumo de sal, reduzir consumo de açúcares, carboidratos e de alimentos ultraprocessados, comer mais frutas, verduras e legumes, não fumar, moderar o consumo de álcool e cuidar do sono. “Também precisamos prestar atenção à gordura abdominal. Obesidade, resistência à insulina e síndrome metabólica costumam estar associadas à hipertensão. E não é preciso esperar a pressão subir para começar a se cuidar. Quanto mais cedo mudamos esses hábitos, maior a chance de prevenir ou adiar a doença”, afirma a especialista.
Lorena Rebouças explica que o tratamento para a hipertensão possui dois pilares: a mudança de estilo de vida, de acordo com o citado acima, e o uso de medicamentos, quando necessário. “Hoje existem remédios eficazes e seguros e, às vezes, precisamos combinar mais de um para controlar melhor a pressão. O tratamento é individualizado, de acordo com a idade, o risco cardiovascular, a função dos rins e outras doenças que a pessoa possa ter”, salienta.
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Comunicação Sem Fronteiras
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