Valparaíso de Goiás parece, em determinados momentos, viver uma espécie de “conto de fadas” político. São anúncios de grandes investimentos, promessas de obras estruturantes, discursos sobre recursos milionários e declarações de que a cidade está avançando.

Mas existe uma pergunta que precisa ser feita: quanto daquilo que foi prometido realmente chegou à população?

O debate não deveria ser apenas sobre nomes ou grupos políticos. É uma discussão sobre transparência, responsabilidade com o dinheiro público e, principalmente, resultados.

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Marcus Vinicius e o caso que chegou ao STJ

No cenário político de Valparaíso, um dos episódios que merece acompanhamento envolve o atual prefeito Marcus Vinicius.

O Ministério Público de Goiás denunciou Marcus Vinicius e outros envolvidos por supostas irregularidades relacionadas ao Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores Públicos de Valparaíso de Goiás, o IPASVAL. Entre as acusações apresentadas pelo MPGO estão supostas falsificações de documentos e fraude em licitação.

O caso chegou às instâncias superiores da Justiça e passou pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

É importante deixar claro: acusação não significa condenação. O caso deve ser tratado dentro do devido processo legal, garantindo-se ao prefeito o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Mas a existência de um processo dessa natureza também justifica a cobrança por transparência.

A população precisa saber como são administrados os recursos públicos, quais são os mecanismos de fiscalização e quais providências são adotadas diante de questionamentos apresentados pelos órgãos de controle.

Dra. Zeli e os milhões destinados a Valparaíso

Outro ponto que chama atenção no cenário político local envolve a deputada estadual Dra. Zeli, que atualmente é candidata a deputada federal.

Em publicação oficial da Assembleia Legislativa de Goiás, a parlamentar afirmou ter destinado quase R$ 100 milhões para Valparaíso de Goiás em dois anos de mandato.

O valor chama atenção e naturalmente desperta questionamentos.

É preciso, entretanto, diferenciar recurso anunciado, destinado, empenhado, pago e efetivamente executado.

Se são quase R$ 100 milhões anunciados para o município, o cidadão tem todo o direito de perguntar:

Quanto já foi efetivamente pago?

Quanto está em execução?

Quais obras foram concluídas?

Quanto ainda depende de liberação ou de outras etapas administrativas?

Qual foi o impacto desses recursos na vida da população?

Essas perguntas não representam ataque político. Representam fiscalização.

Também não é correto simplesmente projetar que o mesmo valor será automaticamente alcançado em quatro anos. Cada recurso possui origem, modalidade, cronograma e regras próprias.

Por isso, mais importante do que a matemática política é conferir a execução real.

Pábio Mossoró e a promessa do viaduto

Outro nome que retorna ao debate eleitoral é o do ex-prefeito Pábio Mossoró, que administrou Valparaíso de Goiás por oito anos e agora é candidato a deputado estadual.

Durante sua gestão, uma das obras que ganhou grande destaque foi o viaduto sobre a BR-040.

Na época, Pábio Mossoró afirmou que a obra seria entregue até 31 de dezembro de 2024.

O prazo passou e a obra não foi entregue dentro da previsão anunciada.

A intervenção continuou sendo um dos assuntos mais importantes relacionados à mobilidade de Valparaíso, especialmente para quem utiliza diariamente a BR-040 no sentido da saída Sul do país.

Posteriormente, o projeto passou a depender da continuidade de outras etapas e da atuação do Governo Federal.

A pergunta que fica para o eleitor é simples:

quando uma obra é anunciada com prazo determinado, quem deve responder quando esse prazo não é cumprido?

O eleitor precisa olhar além do discurso

Valparaíso de Goiás cresceu e se transformou em uma das cidades mais importantes do Entorno do Distrito Federal.

Com crescimento populacional, atividade econômica e uma localização estratégica, a cidade precisa de investimentos proporcionais aos seus desafios.

Mas o eleitor não pode avaliar um político apenas pelo tamanho dos números apresentados em discursos.

É necessário olhar para a execução.

Uma promessa não é uma obra.

Um anúncio de recurso não significa necessariamente dinheiro pago.

Uma emenda destinada não significa automaticamente uma obra concluída.

E um discurso político não substitui resultado.

A população não pode ser lembrada somente de quatro em quatro anos

Durante o período eleitoral, os políticos aparecem, visitam bairros, fazem reuniões, apresentam projetos e prometem resolver os problemas da cidade.

Depois da eleição, muitas vezes o cidadão volta a enfrentar os mesmos problemas.

E quatro anos depois, o ciclo recomeça.

Por isso, o eleitor de Valparaíso precisa fazer uma pergunta simples a cada candidato:

O que você prometeu e o que realmente entregou?

Para quem já ocupou cargo público, a cobrança deve ser ainda maior.

Quem administrou a cidade precisa apresentar seu balanço.

Quem destinou recursos precisa mostrar onde eles foram aplicados.

Quem promete uma obra precisa explicar prazo, custo e execução.

E quem responde a questionamentos judiciais precisa prestar os esclarecimentos necessários dentro dos limites do processo e da lei.

No fim, quem deveria ganhar é o povo

A disputa eleitoral de 2026 promete colocar novamente Valparaíso no centro das atenções políticas.

Marcus Vinicius busca defender sua gestão.

Dra. Zeli tenta ampliar seu espaço político agora como candidata a deputada federal.

Pábio Mossoró retorna à disputa como candidato a deputado estadual.

Outros nomes também devem entrar no debate.

Mas existe algo que não muda: o cidadão continua sendo o principal interessado nos resultados.

Valparaíso não precisa apenas de discursos bonitos, números impressionantes ou promessas de campanha.

Precisa de obras concluídas, saúde funcionando, transporte eficiente, infraestrutura, mobilidade e transparência na aplicação dos recursos públicos.

A população não deve ser lembrada somente durante a eleição.

Porque, no final das contas, quem deveria ser o maior beneficiado pela política não é o político.