O secretário de Saúde de Luziânia, Divonei Oliveira de Sousa, entregou o cargo após a divulgação de um áudio em que ele diz que é ele quem decide a ordem da fila de cirurgias do município . Depois da exposição, o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) instaurou, nesta quarta-feira (1º), um inquérito civil público para apurar o conteúdo da gravação.

A gravação foi feita por uma servidora pública que era responsável pela gestão da agenda das cirurgias e consultas, durante uma reunião entre Divonei e a diretora do Hospital Municipal do Jardim Ingá, Enilda Meireles. Na ocasião, o secretário ainda disse que iria afastá-la do cargo por ela discordar da forma como a escolha dos pacientes é feita.

Em nota, o agora ex-secretário disse que “nunca houve nada de errado” em relação a regulação de cirurgias durante sua gestão. Ele disse ainda que é uma pessoa séria e honrada e que sempre agiu de forma correta. Em relação aos áudios, ele reconheceu que houve um “excesso verbal” dentro de uma “discussão acalorada” 

“O que ocorreu foi um excesso verbal dentro de uma discussão acalorada com uma servidora que, tirada do contexto, pode sugerir interpretações equivocadas. Mas que não configura, em nenhum momento, erro ou irregularidade de minha parte ou por parte da secretaria de saúde”, disse, em nota.

Apuração do MP

A 6ª Promotoria de Justiça de Luziânia informou que vai apurar a conduta do então secretário e “as circunstâncias da remoção supostamente ilegal de uma servidora da unidade hospitalar do Jardim Ingá”. O MP ainda vai investigar uma “possível ingerência do prefeito e parlamentares na lista de espera de procedimentos cirúrgicos”.

O Ministério Público disse ainda que vai requisitar à direção do Hospital do Jardim Ingá cópias de documentos, agendas, prontuários, relacionados à listagem de todos os pacientes que já realizaram cirurgias, bem como daqueles que ainda aguardam procedimento cirúrgico e atendimento médico.

As cópias do inquérito foram encaminhadas ainda à 1º Promotoria de Luziânia, 7ª PJ e 8ª PJ para adoção de providências em suas áreas de atuação, já que são promotorias criminais e de atuação na saúde. O MP disse ainda que a investigação está sob sigilo.

Hospital Municipal de Jardim Ingá, em Luziânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Hospital Municipal de Jardim Ingá, em Luziânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

 

Íntegra da nota de Divonei Oliveira de Souza

 

“Em função dos últimos fatos relacionados à secretaria de saúde, gostaria de esclarecer alguns pontos à população de Luziânia.
1) Durante minha gestão à frente da secretaria de saúde, nunca houve nada de errado no tocante à regulação de cirurgias ou em nenhuma outra área. Até pelo compromisso que tenho com Deus, com minha família, com a população de Luziânia e com o prefeito, que é uma pessoa séria e honrada, sempre agi da forma mais correta possível.
2) Em relação aos áudios divulgados: o que ocorreu foi um excesso verbal dentro de uma discussão acalorada com uma servidora que, tirada do contexto, pode sugerir interpretações equivocadas. Mas que não configura, em nenhum momento, erro ou irregularidade de minha parte ou por parte da secretaria de saúde.
Apesar disso, para não gerar nenhum tipo de constrangimento ao prefeito Diego Sorgatto, por quem tenho o maior respeito e admiração por seu histórico de vida e trabalhos realizados em prol da população, e para que não surja nenhum tipo de ilação sobre possível interferência de minha parte na sindicância que está sendo aberta para apurar os fatos, resolvi entregar o cargo e me desligar da secretaria até que as apurações sejam concluídas. Decisão esta que já comuniquei ao prefeito de Luziânia.
Por fim, quero agradecer todas as manifestações de apoio que recebi nesses últimos dias e reafirmar que, durante todo o período que estive à frente da secretaria de saúde, me dediquei para realizar o melhor trabalho possível, que tem configurado uma melhoria visível no atendimento da saúde em Luziânia e no Distrito do Jardim Ingá”.