A saúde pública de Valparaíso de Goiás vive um dos momentos mais graves de sua história. Atualmente, o município conta com hospital municipal em funcionamento, porém a reforma foi interditada pelo Ministério Público, e o prédio do antigo CAIS foi derrubado.

A interdição da reforma ocorreu após denúncias de que pacientes estavam sendo atendidos em meio às obras, em ambiente com poeira, tintas, cimento e riscos sanitários. A situação comprometeu o andamento dos trabalhos e trouxe ainda mais instabilidade ao sistema municipal de saúde.

Com o CAIS derrubado para a construção de um novo prédio, obra que pode levar quase dois anos para ser concluída, a rede municipal perdeu uma importante referência estrutural de atendimento.

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Como consequência, a UPA do bairro Marajó passou a absorver grande parte da demanda, vivendo um cenário de superlotação constante, longas filas, demora nos atendimentos e, segundo relatos da população e de profissionais da saúde, falta de equipamentos adequados, além de aparelhos frequentemente quebrados.

Pacientes reclamam da dificuldade para conseguir atendimento, da ausência de leitos e da limitação de exames e procedimentos. Profissionais apontam sobrecarga e estrutura insuficiente para o volume de casos.

Enquanto isso, a atual gestão tem priorizado o anúncio de reformas em postos de saúde espalhados pelo município. Para moradores e lideranças comunitárias, a política de obras não veio acompanhada de um plano emergencial robusto que garantisse assistência hospitalar plena.

“Não adianta reformar prédios e derrubar o CAIS sem garantir estrutura adequada. Saúde é salvar vidas”, relata um morador.

 Milhões em recursos e problemas básicos continuam

Com uma população estimada em 213,5 mil habitantes e 87,4 mil domicílios, Valparaíso de Goiás esteve entre os municípios do Entorno que mais receberam recursos.

Somente em 2024, o município recebeu mais de R$ 585 milhões, valor que poderia impulsionar grandes avanços estruturais e sociais. No entanto, o cenário urbano e, principalmente, os serviços de saúde continuam distantes da qualidade esperada para um município que figura entre os que mais recebem repasses federais da região.

O alto volume de recursos gerou debates nas redes sociais e entre lideranças locais. A principal pergunta que ecoa é direta:

 Como um município que recebeu mais de R$ 585 milhões em um único ano ainda enfrenta problemas tão básicos na saúde?

Especialistas e lideranças comunitárias avaliam que a derrubada do CAIS sem uma alternativa plenamente estruturada, aliada à interdição da reforma do hospital, empurrou o sistema para um cenário próximo do colapso.

Hoje, Valparaíso vive o que muitos definem como a “UTI da saúde pública”: hospital funcionando sob limitações, UPA sobrecarregada e sem perspectiva clara de solução a curto prazo.


Em saúde, cada dia conta.
E em Valparaíso, o tempo está custando caro.