Foragido desde novembro de 2023 pela morte do empresário Fábio Alves Escobar Cavalcante, Carlos César Savastano Toledo, conhecido como Cacai Toledo, foi preso pela Polícia Civil de Goiás (veja vídeo da prisão acesse aqui). Cacai é ex-presidente do DEM (atual União Brasil) de Anápolis e foi coordenador da campanha política do partido ao governo do estado de 2018, em Anápolis

Cacai estava foragido desde o dia 16 de novembro do ano passado e foi preso nesta segunda-feira (3), em Brasília, no Distrito Federal. Nas redes sociais Cacai conta ser empresário e produtor rural. Ele foi diretor administrativo da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego), mas perdeu o cargo ao ser preso em 2020 por suspeita de fraudes em licitações na companhia.

Sobre a prisão realizada na segunda-feira (3), a defesa de Cacai disse que estava em acordo com as autoridades competentes para apresentar Carlos César Savastano de Toledo e a única exigência sempre foi de que a vida dele fosse protegida. Ainda segundo o advogado, Demóstenes Torres, Cacai teme "os verdadeiros mandantes do crime praticado contra Fábio Escobar" .

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A Polícia Civil não divulgou as circunstâncias da prisão. O que foi informado pela polícia é que ele foi preso pela Delegacia Estadual de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO), em ação integrada com a Superintendência de Inteligência da Polícia Civil e Inteligência da Secretaria da Segurança Pública de Goiás. Mas informações serão repassadas em uma coletiva de imprensa marcada para terça-feira (4).

Cacai Toledo e o momento em que ele foi preso pela PC de Goiás — Foto: Reprodução/PC

Cacai Toledo e o momento em que ele foi preso pela PC de Goiás — Foto: Reprodução/PC

Crime contra Fábio Escobar

A Polícia Civil (PC) concluiu que o empresário Fábio Escobar foi assassinado no dia 23 de junho de 2021 por vingança após ter denunciado desvios de dinheiro na campanha eleitoral de 2018 do ex-presidente do Democratas, Cacai Toledo.

Escobar trabalhou com Cacai durante a campanha de 2018. No ano seguinte, passou a denunciá-lo na internet por supostos desvios de dinheiro. Em um dos vídeos, Escobar mostrava o momento em que devolvia R$ 150 mil, que ele dizia ter recebido de Cacai como suborno para que ele parasse com as denúncias (assista abaixo). Para a investigação, essas desavenças motivaram o assassinato do empresário.

 

“O dinheiro de vocês está aqui, ninguém me compra não. Pode colocar pistoleiro, pode colocar o que for. O dinheiro que vocês me mandaram está aqui”, diz ele no vídeo.

 

Cacai Toledo (lado esquerdo), e o empresário morto a tiros, Fábio Alves Escobar Cavalcante (lado direito) — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Cacai Toledo (lado esquerdo), e o empresário morto a tiros, Fábio Alves Escobar Cavalcante (lado direito) — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

 

O pai de Escobar disse em entrevista à TV Anhanguera que o filho tinha muitas informações sobre supostos desvios de dinheiro. José Escobar disse também que o filho chegou a ser ameaçado por uma pessoa ligada a Cacai.

 

"Essa não foi a primeira vez que o meu filho foi seguido por PMs disfarçados. Eu sempre alertei que isso ia acabar do jeito que acabou, porque ele estava mexendo com gente muito perigosa e muito endinheirada. A morte do meu filho foi encomendada por políticos, pago por políticos, acobertado por políticos", disse o pai do empresário. 

 

Segundo a polícia, Cacai, junto com Jorge Caiado, que tem prestígios na Secretaria de Segurança Pública (SSP), usou da proximidade com policiais militares para planejar e matar Escobar. Eles teriam aliciado agentes para executarem o assassinato e prometido promoções por “ato de bravura”.

A polícia apurou que, dois dias antes do assassinato do empresário, o PM Welton da Silva habilitou uma nova linha em um celular furtado por policiais, se passou por um "Fernando" e, por mensagens, tentou fechar negócios com Escobar. A investigações concluíram que o policial matou o empresário.

Réus

Além de Cacai Toledo, três policiais militares foram denunciados pelo MP pela morte de Fábio Escobar. Eles se tornaram réus pelo crime de homicídio qualificado.

A decisão da Justiça foi assinada por três juízes de Anápolis na última segunda-feira (19). O crime aconteceu em junho de 2021, em Anápolis, a 55 km de Goiânia. O g1 não localizou a defesa dos policiais Glauko Olívio de Oliveira, Thiago Marcelino Machado e Erick Pereira da Silva, que foram indiciados pelo crime.

As investigações da Polícia Civil terminaram em novembro de 2023 e concluíram que Cacai foi o "autor intelectual" do homicídio de Escobar, tendo sido o responsável por organizar o crime. Além dele, os três policiais militares têm ligação direta com a morte do empresário, segundo o inquérito.

FONTE/CRÉDITOS: Reportagem G1 - GO