Na busca pelo primeiro imóvel, é comum começar a pesquisa pelo preço, valor da entrada, tamanho ou condições de financiamento. Mas, há outro fator que interfere diretamente na decisão: onde aquele imóvel está localizado e como esse endereço se encaixa na rotina de quem vai morar nele.

Esse comportamento segue o perfil levantado pela pesquisa da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC), realizada pela Brain Inteligência Estratégica com 1.050 pessoas em 13 grandes cidades brasileiras. A análise mostrou que 65% dos entrevistados considerariam pagar um valor acima da média por um imóvel com localização privilegiada. O fácil acesso às principais rodovias e ao transporte público foi citado por 27%, enquanto 21% apontaram a expectativa de valorização no longo prazo.

Os dados ajudam a mostrar que a escolha da casa não termina na porta do imóvel. Tempo de deslocamento, proximidade de escolas, comércio, restaurantes, parques e outros serviços também entram na conta e podem fazer dois imóveis de preços semelhantes entregarem experiências bastante diferentes no dia a dia.

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Para Ricardo Teixeira,sócio-diretor da URBS Imobiliária, a análise deve começar pelas necessidades de quem vai ocupar o imóvel. Uma família que precisa estar próxima da escola dos filhos, por exemplo, pode atribuir um valor diferente à localização daquele dado por alguém que prioriza acesso ao trabalho, comércio ou opções de lazer.

“Tempo é o bem mais precioso do ser humano”, afirma. Segundo ele, morar em uma região onde é possível resolver mais atividades do cotidiano em percursos menores representa ganho de tempo e de qualidade de vida, características que acabam se refletindo também na valorização imobiliária.

*Não basta olhar o bairro*

Mesmo dentro de uma mesma região, a localização pode mudar o valor de um imóvel. Ricardo cita como exemplo o Setor Bueno, em Goiânia: um apartamento de frente para um parque ou próximo a um shopping pode ter preço diferente de outro imóvel semelhante situado em uma área mais afastada do próprio bairro.

Isso ocorre tanto pela escassez e exclusividade. “Áreas no entorno de parques e praças e de outros equipamentos urbanos têm oferta limitada, então o seu valor aumenta. E aquela benfeitoria é única, não se repete de igual forma em outro local. Mais um fator que se reflete no preço", explica o especialista. 

Por isso, a comparação entre imóveis com preços parecidos deve considerar o entorno. Mobilidade, comércio, escolas, serviços, áreas de lazer e facilidade para realizar atividades a pé são alguns dos pontos que ajudam a entender o que aquele endereço representa para a rotina.

*Futuro*

Outra vertente a ser observada na hora de comprar o imóvel é fazer uma projeção para o futuro. Como estará o bairro onde está a casa ou apartamento daqui há alguns anos? Para Ricardo, entender o desenvolvimento urbano ajuda a identificar regiões com possibilidade de valorização nos próximos anos.

“O que tem que ser feito e analisado é o vetor de crescimento das cidades”, afirma. Com isso, é possível escolher um imóvel que, no presente, ainda não está em um bairro consolidado ou tradicional, mas no futuro será ocupada e trará qualidade de vida, comodidade e valorização para o comprador.

Ele cita Aparecida de Goiânia como exemplo. Investimentos em infraestrutura e alterações viárias ajudaram a ampliar o fluxo em determinadas regiões do município, estimulando, na sequência, a chegada de comércio, serviços e novos moradores.“Ao melhorar o comércio, estimula a moradia e a ocupação vai virando uma crescente”, explica. 

A mesma lógica pode ser observada em bairros próximos a regiões já consolidadas. Conforme a cidade avança, áreas que hoje ainda estão em processo de ocupação podem receber novos serviços, comércio e empreendimentos. Já a compra em locais muito afastados da infraestrutura existente exige, segundo Ricardo, mais atenção para entender se aquela região realmente acompanha o sentido de expansão da cidade.

*Investimentos*

A localização também permanece entre os critérios para quem compra pensando em renda com aluguel ou em uma futura revenda. Isso porque as características buscadas por um proprietário para morar tendem a ser semelhantes às valorizadas por um locatário: facilidade de acesso, serviços próximos e conveniência.

No caso de imóveis compactos e comerciais, Ricardo considera ainda mais importante observar regiões já consolidadas, com fluxo de pessoas, comércio, avenidas importantes e facilidade de mobilidade.

Assim, diante de imóveis com preços próximos, a comparação pode começar pela planta e pela metragem, mas deve ultrapassar os limites do apartamento. Avaliar como é viver naquele endereço hoje  e como aquela região pode se transformar nos próximos anos  ajuda a tornar a escolha do primeiro imóvel mais alinhada à rotina e aos objetivos de longo prazo.