Por Erenildo de Sene | Editor e CEO

A cada eleição, uma cena se repete: políticos que passaram boa parte do mandato distantes da população voltam a aparecer nas ruas, apertam mãos, visitam bairros, fazem promessas e pedem novamente a confiança do eleitor.

Em muitos casos, durante os quatro anos de mandato, o cidadão enfrentou dificuldades para ser ouvido. Ligações não atendidas, agendas inacessíveis e o contato limitado a assessores e intermediários acabam criando uma distância preocupante entre quem foi eleito e quem depositou o voto nas urnas.

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Mas, quando o calendário eleitoral se aproxima, a realidade parece mudar. Surgem abraços, fotografias, discursos e promessas de que, desta vez, tudo será diferente.

É justamente nesse momento que o eleitor precisa prestar atenção.

Quem esteve presente durante o mandato? Quem ouviu as reclamações da população? Quem visitou os bairros quando não havia eleição? Quem apresentou resultados concretos?

Essas perguntas são mais importantes do que qualquer promessa feita durante uma campanha.

O voto não pode ser tratado como uma moeda de troca. O eleitor não deve escolher um candidato apenas porque recebeu uma visita, um favor ou uma promessa de última hora. O voto representa responsabilidade e também uma forma de cobrar aqueles que pretendem exercer um mandato público.

O eleitor precisa lembrar

É fácil aparecer quando se precisa de votos. Difícil é permanecer presente quando não há eleição.

Por isso, 2026 deve ser também um ano de memória política. O cidadão precisa lembrar quem esteve ao seu lado, quem trabalhou, quem apresentou propostas e quem simplesmente desapareceu depois de conquistar o mandato.

Não se trata de rejeitar a política. Pelo contrário. Trata-se de exigir uma política mais próxima da população e mais comprometida com resultados.

Campanhas eleitorais podem apresentar discursos bonitos, mas o histórico de cada candidato fala muito mais alto.

Antes de votar, o eleitor deve pesquisar, comparar, questionar e cobrar. Deve olhar para o passado do candidato e não apenas para as promessas do presente.

Quem pede o seu voto também precisa estar disposto a prestar contas.

A eleição passa. O mandato fica.

E, depois que as urnas se fecham, é o cidadão quem continua enfrentando os problemas da saúde, do transporte, da segurança, do emprego, da infraestrutura e dos serviços públicos.

Por isso, em 2026, a principal pergunta não deveria ser apenas: "o que esse candidato promete?".

A pergunta precisa ser:

"O que ele fez quando já tinha o meu voto?"

O eleitor não é apenas um número. É o cidadão que paga impostos, enfrenta dificuldades todos os dias e tem o direito de cobrar aqueles que ocupam cargos públicos.

Chega de memória curta.

Quem esteve ausente durante quatro anos não pode esperar que o eleitor esqueça em apenas um mês de campanha.