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A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram, na manhã desta quinta-feira (23), a segunda fase da Operação Sepse, com o objetivo de desarticular um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a desvios de recursos públicos na saúde em Aparecida de Goiânia.
A ação, realizada com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), cumpre mandados de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio de bens e valores. As ordens foram expedidas pela 11ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária de Goiás contra investigados suspeitos de peculato, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de capitais.
O foco das investigações é uma Organização Social (OS) que administrava o Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia, unidade mantida com recursos do Sistema Único de Saúde.
Origem da investigação
O caso tem origem na Operação Parasitas, iniciada pela Polícia Civil de Goiás, que apurava fraudes no fornecimento de materiais hospitalares. Durante essa investigação, surgiram indícios de um esquema mais amplo envolvendo contratos de serviços médicos.
A Controladoria-Geral da União teve papel relevante ao cruzar dados e identificar irregularidades da mesma organização em outros estados, o que reforçou a competência da Justiça Federal, já que os recursos investigados têm origem federal.
Com isso, a Polícia Federal assumiu o inquérito e, em fevereiro de 2023, deflagrou a primeira fase da Operação Sepse.
Estratégia jurídica garantiu continuidade
Durante o andamento do caso, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) anulou provas obtidas na fase conduzida pela Justiça Estadual, ao reconhecer a incompetência do juízo.
Para evitar prejuízos à investigação, o Gaeco adotou uma estratégia jurídica: promoveu o arquivamento do inquérito original e solicitou a abertura de um novo procedimento, descartando os elementos anulados.
Com base em provas autônomas — como contratos públicos disponíveis em portais de transparência — e após autorizações judiciais para quebra de sigilos, os investigadores conseguiram dar continuidade às apurações e aprofundar a análise financeira do caso.
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações, os controladores da Organização Social direcionavam contratos superfaturados, principalmente para gestão de leitos de UTI, a empresas específicas.
Em troca, os empresários beneficiados repassariam cerca de 10% dos valores recebidos como propina para integrantes da cúpula da OS.
Para ocultar a origem ilícita dos recursos, o grupo utilizava um esquema estruturado de lavagem de dinheiro, com transferências sucessivas entre contas, saques fracionados em espécie e uso de terceiros — incluindo familiares, funcionários e empresas de fachada.
Também foram identificadas movimentações financeiras circulares, utilizadas para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Alvos da segunda fase
Nesta nova etapa, a operação mira o núcleo central da suposta organização criminosa, incluindo gestores da OS, empresários envolvidos nos contratos e operadores financeiros responsáveis pela movimentação dos recursos.
A expectativa das autoridades é consolidar provas, ampliar o rastreamento do dinheiro e garantir o bloqueio de bens dos investigados, fortalecendo o processo de responsabilização criminal.
Publicado por:
Redação Goiânia -GO
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