Pesquisa Nacional de Amostragem de Domicílios (PNAD) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 50,1% dos lares goianos chefiados por mulheres sustentam-se em situação de maternidade isolada, ou seja: a mãe literalmente solo, vivendo apenas com os filhos, sem qualquer rede de apoio. No Brasil, esse índice chega a superar 72%. De acordo com o último Censo, datado de 2022, os lares chefiados apenas por mulheres no Brasil chegam a 10,3 milhões: quase um terço (29%) do total de domicílios. 

Tanto no país quanto no estado, a proximidade do pleito eleitoral deste ano e o início das campanhas político partidárias não deixaram o tema de lado. Uma das defensoras de uma presença maior do Poder Público na elaboração de um elenco de propostas destinadas a propor uma rede de apoio patrocinada pelo estado para mães solo é a jornalista Arianne Cândido, candidata a uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) pelo União Brasil. 

Uma das principais propostas da candidata é a da apresentação de um Projeto de Lei que determine um percentual de vagas de emprego para mães solo na composição de pessoal das empresas cujas propostas se saírem vencedoras em processos de licitação pública. “É um reconhecimento à situação especial de vulnerabilidade em que vive grande parte das mães solo”, ressalta a jornalista. 

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Outra proposta de Arianne é o estabelecimento de parcerias junto a instituições de ensino superior e técnico, com o oferecimento de capacitação noturna ou possíveis ofertas de cursos na modalidade EAD com auxílio financeiro, em horários alternativos, com oferta de espaços kids com monitores para cuidado com os filhos durante as aulas, bem como auxílios financeiros para custeio de transporte e alimentação. “Podem ser estabelecidas parcerias com instituições tecnológicas, para aquelas mães solo que desejarem iniciar o desenvolvimento de carreiras com aporte de tecnologia digital”, explica a postulante. 

Por fim, Cândido propõe a implementação do que ela denomina Centros Estaduais de Apoio à Mulher Monoparental (CEAMMs). “Na prática, esses centros concentrariam oferta de serviços no campo da psicologia, no combate aos males psíquicos provocados, por exemplo, por processos de exaustão mental devido a jornadas duplas ou triplas de trabalho, consultoria jurídica para obtenção de auxílio alimentação e assistência social, em caso de mães solo em situação especial de vulnerabilidade”, descreve. 

Arianne salienta que cabe aos poderes públicos constituídos uma posição de maior ativismo no apoio a um estrato amplo da população goiana que, não obstante sua amplitude, segue esquecida pelo Estado. “Nós precisamos romper com essa cultura de concentrar na mulher a culpa pela monoparentalidade. Reconhecer a legitimidade e o direito à dignidade dos arranjos familiares não convencionais - e entre eles as famílias monoparentais chefiadas por mulheres são a imensa maioria - é um dever de todos, Estado e sociedade”, frisa