Mais um caso de feminicídio voltou a chocar Goiás. A jovem Gine Kelly Valadão de Castro, de 29 anos, foi assassinada a facadas na noite de sábado (11), no Conjunto Habitacional Dona Norma Gibaldi, em Itumbiara, no sul do estado. O principal suspeito é o ex-marido da vítima, William Constantino Dantas Silva, de 36 anos, que foi preso em flagrante pela Polícia Civil logo após o crime.

De acordo com as investigações, o casal foi casado por nove anos e teve duas filhas menores de idade. Embora estivessem separados havia cerca de um mês, eles ainda mantinham contato por causa das crianças.

Segundo o delegado Felipe Salla, responsável pelo caso, Gine havia deixado as filhas sob os cuidados do ex-companheiro e retornou à residência durante a noite. Conforme o depoimento do investigado, uma discussão teve início após a chegada da vítima e, durante o desentendimento, ele pegou uma faca na cozinha e desferiu vários golpes contra a ex-esposa.

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As duas crianças estavam na residência e presenciaram toda a cena de violência. Após o crime, equipes da Polícia Militar foram acionadas e realizaram a prisão do suspeito em flagrante.

Durante o interrogatório, William Constantino Dantas Silva confessou o assassinato. Ele foi autuado pelo crime de feminicídio e deverá passar por audiência de custódia. Até o fechamento desta reportagem, a defesa do investigado não havia se manifestado sobre o caso.

Histórico de violência

As investigações apontam que o relacionamento já havia sido marcado por episódios de violência doméstica. Segundo a Polícia Civil, há cerca de quatro anos a vítima registrou ocorrência contra o então marido e conseguiu medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

Com a retomada do relacionamento na época, as medidas deixaram de ter validade. Atualmente, o casal estava novamente separado havia aproximadamente 30 dias.

O caso segue sendo investigado pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Itumbiara, que irá concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Poder Judiciário.

Feminicídio segue fazendo vítimas

O assassinato de Gine Kelly reforça uma realidade preocupante em Goiás e em todo o país. O feminicídio é considerado uma das formas mais graves de violência contra a mulher e, na maioria dos casos, é cometido por companheiros ou ex-companheiros, geralmente após um histórico de agressões, ameaças ou controle psicológico.

Especialistas alertam que denúncias de violência doméstica devem ser feitas o mais cedo possível. Em situações de risco, a orientação é procurar imediatamente as forças de segurança e a rede de proteção às mulheres.