O empresário goiano Leandro Batista Nóbrega, proprietário do Frigorífico Goiás, tornou-se alvo de uma investigação da Polícia Civil após ser denunciado por uma mulher trans por suposto não pagamento de um programa sexual, além de acusações de transfobia e ameaças. O caso ganhou repercussão nacional nesta sexta-feira (10), após reportagem publicada pelo Metrópoles, e segue sob apuração das autoridades.

A denunciante, identificada pelo nome fictício de Aline, teve sua identidade preservada por questões de segurança e privacidade. Segundo a reportagem, ela procurou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) na noite de 15 de junho, poucas horas após o encontro com o empresário, onde registrou um boletim de ocorrência relatando os fatos.

Leandro Batista é conhecido nacionalmente por comandar o Frigorífico Goiás, empresa que ganhou notoriedade ao lançar a chamada "Picanha de Bolsonaro", produto que fez referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O empresário também costuma aparecer em eventos e publicações ao lado de lideranças da direita, como o próprio Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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Nas redes sociais, o Frigorífico Goiás possui aproximadamente 2,5 milhões de seguidores em seu perfil oficial no Instagram, enquanto Leandro Batista reúne cerca de 974 mil seguidores em sua conta pessoal.

Como teria ocorrido o encontro

De acordo com o boletim de ocorrência obtido pelo Metrópoles, Leandro Batista já havia mantido contato com a acompanhante em 2024, voltando a procurá-la em maio deste ano para marcar um novo encontro.

Segundo o relato, antes mesmo da conversa pelo WhatsApp, Aline percebeu que um perfil ligado ao Frigorífico Goiás visualizava frequentemente suas publicações nas redes sociais. Posteriormente, o empresário teria iniciado contato para agendar o programa.

Ainda conforme a ocorrência, Leandro chegou ao apartamento por volta das 13 horas, permanecendo no local durante aproximadamente uma hora e dez minutos.

Discussão durante o programa

Segundo a versão apresentada pela denunciante à Polícia Civil, os serviços inicialmente combinados foram realizados normalmente. Entretanto, o clima mudou quando o empresário teria solicitado uma prática sexual que ela afirma não realizar.

Após sair do banho, Aline disse ter reconhecido que o cliente era o proprietário do Frigorífico Goiás. Ainda conforme o boletim de ocorrência, ela questionou Leandro sobre posicionamentos considerados transfóbicos publicados anteriormente em suas redes sociais e perguntou por que ele procurava os serviços de uma mulher trans.

A conversa teria evoluído para uma discussão.

Durante o desentendimento, parte da conversa foi gravada em vídeo pela acompanhante.

Acusação de calote e ameaças

Ainda segundo o boletim de ocorrência, após a discussão o empresário teria deixado o apartamento sem efetuar o pagamento de R$ 500, valor previamente combinado entre as partes.

A denunciante também afirma ter sido vítima de ofensas de cunho transfóbico e de ameaças durante e após o encontro.

Conforme relatado ao Metrópoles, depois do episódio o empresário ainda teria tentado negociar para que o vídeo da discussão não fosse divulgado, oferecendo dinheiro à acompanhante. Ela afirma que recusou qualquer proposta.

Todas essas alegações fazem parte da versão apresentada pela denunciante e estão sendo analisadas pela Polícia Civil.

Defesa nega acusações

Em nota encaminhada à imprensa, a defesa de Leandro Batista Nóbrega negou integralmente as acusações.

Os advogados sustentam que o empresário não praticou qualquer ato criminoso, classificam a denúncia como falsa e afirmam que serão adotadas as medidas judiciais cabíveis para responsabilizar quem, segundo eles, estiver divulgando informações inverídicas.

Investigação

A Polícia Civil de Goiás confirmou o registro da ocorrência e informou que o caso está sendo investigado.

Até o momento, não existe decisão judicial sobre os fatos narrados no boletim de ocorrência. A investigação deverá ouvir as partes envolvidas, reunir provas e analisar o material apresentado antes da conclusão do inquérito.

Veja o vídeo

O Metrópoles divulgou um vídeo que mostra parte da discussão entre a acompanhante e o empresário durante o encontro mencionado no boletim de ocorrência.

O Agita Goiás disponibiliza o vídeo ao final desta matéria, conforme publicado originalmente pelo Metrópoles, para que os leitores tenham acesso ao conteúdo que repercute nacionalmente e que integra o contexto das denúncias apresentadas.

A reprodução do vídeo possui finalidade exclusivamente jornalística, buscando contextualizar os fatos já divulgados por um veículo de alcance nacional.

O Agita Goiás ressalta que as acusações representam a versão apresentada pela denunciante às autoridades. Leandro Batista Nóbrega nega todas as acusações, e o caso segue sob investigação da Polícia Civil de Goiás, sendo assegurados ao empresário o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência até eventual decisão da Justiça.

A reportagem continuará acompanhando o caso e atualizará esta matéria caso haja novos desdobramentos ou manifestações oficiais das partes envolvidas.