A busca por tecnologias capazes de aumentar a produtividade sem ampliar a área destinada à produção agropecuária tem ganhado espaço diante de um dos principais desafios da pecuária brasileira: a recuperação de pastagens degradadas. Dados do MapBiomas (2024) apontam que o País possui cerca de 164 milhões de hectares de pastagens, dos quais aproximadamente 60% apresentam algum nível de degradação, conforme levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). 

Uma solução para esse desafio vem sendo desenvolvida pela Amazon Mudas, empresa goiana com sede em Brazabrantes, na Região Metropolitana de Goiânia. A indústria participou do PEC Brasil, considerado um dos principais eventos do agronegócio no Nordeste, realizado em Fortaleza, no Ceará, onde apresentou sua tecnologia voltada à produção de mudas de Tifton 85, variedade forrageira utilizada na recuperação de pastos e na intensificação dos sistemas de produção pecuária.

À frente da empresa está o presidente e zootecnista especializado em produção de ruminantes e pastagens Oswaldo Stival Neto. Segundo ele, a proposta da Amazon Mudas é ampliar o acesso dos produtores a uma tecnologia capaz de elevar a eficiência produtiva das propriedades, aliando maior desempenho no campo e sustentabilidade.

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“A nossa missão é oferecer ao produtor uma tecnologia que ajude a recuperar áreas de pastagem e aumentar a eficiência da produção, aproveitando melhor os recursos que ele já tem na propriedade”, afirma.

Sobre o Tifton 85

Criado nos Estados Unidos em 1992 a partir do cruzamento de gramíneas de clima temperado com espécies tropicais africanas, o Tifton 85 vem sendo utilizado no Brasil como alternativa para intensificação da pecuária e recuperação de áreas degradadas. 

Hoje com atuação voltada à produção de mudas da forrageira, a Amazon Mudas aposta na mecanização e padronização do cultivo como diferencial para ampliar a adoção da tecnologia no setor agropecuário brasileiro.

Oswaldo Stival Neto explica que o modelo de produção de mudas permite maior eficiência na implantação da forrageira. Segundo ele, o processo desenvolvido pela empresa envolve o cultivo de plantas matrizes, melhoramento e posterior transplantio mecanizado, semelhante ao utilizado em culturas como tomate e batata.

“O que os números nos mostram é que o Tifton 85 tem mais que o dobro de proteína em relação às demais forrageiras tropicais. Sendo assim, metade do volume já consegue suprir a demanda alimentar dos animais. No mesmo hectare, o produtor consegue alimentar pelo menos o dobro de animais”, afirma o zootecnista.

O especialista destaca ainda benefícios como recuperação da fertilidade do solo, aumento da matéria orgânica ao longo do tempo e redução da degradação das áreas de pastagem, o que contribui para maior produtividade e longevidade das propriedades.

De acordo com ele, a forrageira também apresenta resistência em períodos de estiagem, devido à maior produção de matéria seca por hectare e à formação de uma cobertura vegetal densa, que ajuda a proteger o solo contra erosão e reduzir a perda de umidade.