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A análise da presença feminina na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) em séries históricas conta uma história de sub-representação. Atualmente, as mulheres ocupam quatro cadeiras na Alego, mas se mantiveram dentro da média do declínio acentuado verificado após a Legislatura 2003-07, um recorde da presença de mulheres no parlamento goiano, quando foram eleitas nove deputadas
Depois desse momento de ápice de presença feminina, a presença de mulheres na Alego despencou: caiu para menos da metade das Legislaturas seguintes, com o menor registro referente ao período 2019-23 - penúltima Legislatura -, quando foram eleitas apenas duas representantes.
Para a candidata a deputada estadual Arianne Cândido (União Brasil), a história e o cenário contemporâneo da presença feminina na Alego é reflexo de como Goiás enfrenta o problema das desigualdades de acesso e oportunidades entre os gêneros no estado. “Quando ouço números como os das séries históricas das mulheres eleitas deputadas, não consigo pensar em outra coisa a não ser nos 113% de aumento dos casos de feminicídio no estado entre 2024 e o ano passado. A cultura por trás da estatística criminal é a mesma que serve de base para a estatística na esfera política”, salienta a jornalista.
Para Arianne, a representação atual da presença feminina na Alego descortina uma situação lamentável em vista da maioria das goianas ao se considerar a totalidade do colégio goiano. “53% do eleitorado goiano são formados por mulheres. São mais de 2 milhões e 600 mil goianas, representadas por apenas quatro deputadas estaduais. Isso só não é mais absurdo do que a possibilidade, que pode ser real, de essa representação diminuir ainda mais na próxima Legislatura”, ressalta.
Violência contra políticas mulheres
Para Arianne, episódios recentes de flagrante assédio moral, praticado por parlamentares goianos homens contra colegas mulheres, são um sintoma cuja doença é a insistência de uma percepção segundo a qual política é terreno naturalmente masculino. “A Alego ainda é espaço para falas como ‘fica caladinha aí’, um cenário de verdadeira violência política de gênero”, comenta Cândido.
Para Arianne, a forma mais eficaz de reverter esse processo é relativamente óbvia. “É preciso aumentar a representatividade das mulheres na Alego. Isso não vai acontecer de outra forma a não ser um ato consciente e decidido: mulheres devem votar em mulheres. Nós existimos em todos os campos do espectro ideológico. Qualquer que seja a convicção política, lá deve estar uma mulher, que deve ser opção das eleitoras. A ampliação de nossa representação política é condição fundamental para a melhoria de nossa situação perante a sociedade goiana”, salienta.
Publicado por:
Redação Goiânia -GO
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