A reta final da campanha de Maria Yvelônia (PL) para deputada federal por Goiás é marcada por uma combinação de dificuldades, superação e presença nas pesquisas eleitorais. Sem mandato eletivo e com uma estrutura financeira declarada inferior à de algumas candidaturas mais tradicionais, Yvelônia conseguiu aparecer em levantamentos realizados no Entorno e também no cenário estadual.

O caminho até os últimos dias da campanha, porém, não foi simples. Em 17 de setembro, durante uma atividade política em Valparaíso de Goiás, o trio elétrico em que a candidata estava tombou durante uma conversão. Segundo informações preliminares divulgadas pelo Corpo de Bombeiros, o motorista teria perdido o freio. Yvelônia sofreu fratura no maxilar, ferimentos no rosto e escoriações pelo corpo. Posteriormente, também foi informado que ela sofreu fratura no cotovelo e precisou passar por procedimento médico.

O acidente interrompeu parte da agenda presencial da candidata justamente na reta final da disputa. Mesmo assim, sua equipe manteve as atividades de campanha e a candidata buscou continuar presente politicamente.

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Antes do acidente, entretanto, Yvelônia já havia conseguido um dado importante nas pesquisas regionais. Levantamento do IGAPE realizado entre 8 e 17 de agosto, com 4.100 eleitores de oito municípios do Entorno de Brasília, registrou a candidata com 4,2% das intenções de voto para deputada federal. A pesquisa foi realizada em Formosa, Planaltina, Águas Lindas de Goiás, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental e Luziânia. O levantamento foi registrado sob o número GO-03742/2026, com margem de erro de 1,5 ponto percentual e nível de confiança de 95%.

Na divulgação detalhada do levantamento, Yvelônia aparece entre os nomes mais citados na região. A pesquisa registrou Célio Silveira com 6,7%, Lêda Borges com 5%, Ricardo Quirino com 4,8%, Maria Yvelônia com 4,2% e Dra. Zeli com 3,8%. Como a margem de erro é de 1,5 ponto percentual, as diferenças entre alguns dos candidatos são estreitas e devem ser interpretadas dentro desse intervalo.

O desempenho regional contrasta com o cenário estadual. Em outro levantamento do IGAPE, realizado entre 20 e 29 de agosto com 3 mil eleitores em Goiás, Yvelônia apareceu com 0,7% das intenções de voto. A pesquisa teve margem de erro de 1,8 ponto percentual e nível de confiança de 95%.

Os números mostram que o desempenho da candidata é mais concentrado no Entorno, região onde construiu parte de sua trajetória política e onde seu nome apresenta maior lembrança nas pesquisas.

Outro aspecto que chama atenção na campanha é a diferença de estrutura financeira entre algumas candidaturas.

De acordo com dados da prestação de contas eleitoral, atualizados em 27 de setembro, Maria Yvelônia havia declarado R$ 203.092 em receitas. Desse total, R$ 100 mil vieram do Fundo Eleitoral, outros R$ 100 mil foram registrados como recursos de outras campanhas e aproximadamente R$ 3 mil vieram de pessoas físicas. Os dados ainda são parciais e podem sofrer alterações até o encerramento da prestação de contas.

Na mesma data, os gastos contratados declarados pela campanha chegavam a aproximadamente R$ 386,6 mil, principalmente em atividades de militância e mobilização de rua e serviços prestados por terceiros. Como a prestação ainda estava em andamento, os valores não representam necessariamente o fechamento definitivo da campanha.

A diferença fica evidente quando comparada com outras candidaturas que disputam uma vaga pela Câmara dos Deputados.

A candidata Dra. Zeli (PSD), por exemplo, aparecia com R$ 2 milhões arrecadados na campanha de 2026, segundo os dados eleitorais disponíveis. O valor corresponde a recursos registrados para a campanha e representa uma estrutura financeira consideravelmente maior que a declarada por Yvelônia.

Outra comparação possível é com Lêda Borges (Republicanos), atual deputada federal e candidata à reeleição. Até 27 de setembro, Lêda havia declarado cerca de R$ 1,9 milhão em receitas, sendo R$ 1,5 milhão provenientes do Fundo Eleitoral e R$ 346 mil do Fundo Partidário, além de doações privadas.

Nesse contexto, Maria Yvelônia chega à reta final com uma estrutura financeira declarada bem menor que a de algumas candidaturas que possuem mandato ou contam com maior volume de recursos partidários.

A comparação, entretanto, não significa que recursos financeiros determinem o resultado eleitoral. O dinheiro de campanha é apenas um dos fatores envolvidos em uma disputa eleitoral e os dados de prestação de contas ainda são parciais.

O que os números permitem observar é outra questão: Yvelônia conseguiu aparecer em pesquisas regionais relevantes mesmo com uma arrecadação declarada inferior à de algumas candidaturas que disputam a mesma vaga.

Para uma candidata sem mandato eletivo, o registro de 4,2% no levantamento regional do IGAPE colocou seu nome no grupo de candidaturas mais lembradas naquele recorte do Entorno. Em âmbito estadual, o percentual foi menor, de 0,7%, mostrando a diferença entre a força regional e o cenário de todo o Estado.

A campanha também ganhou visibilidade após o acidente de setembro. A candidata precisou enfrentar um período de recuperação justamente quando a eleição entrava na fase decisiva. O episódio mobilizou apoiadores e trouxe novas atenções para sua candidatura.

Maria Yvelônia disputa uma das 17 vagas de deputado federal destinadas a Goiás. A eleição está marcada para 4 de outubro.

Na reta final, portanto, a candidatura chega às urnas marcada por três elementos que ajudam a explicar sua trajetória em 2026: uma presença eleitoral mais forte no Entorno, uma estrutura financeira declarada menor que a de algumas candidaturas concorrentes e a necessidade de reorganizar a campanha depois do acidente sofrido em Valparaíso.

Os números das pesquisas representam retratos dos períodos em que os levantamentos foram realizados e não constituem previsão do resultado das urnas. A definição da disputa acontecerá no dia da votação.