A disputa pelo Senado Federal em Goiás nas eleições de 2026 começa a ganhar novos personagens. Entre os nomes que colocam o próprio passado como parte do discurso político está o advogado e servidor de carreira da Assembleia Legislativa de Goiás, Iure Castro.

Candidato ao Senado pelo Cidadania, Iure Castro construiu sua trajetória profissional fora da política tradicional. Servidor concursado da Alego, ele já ocupou o cargo de procurador-geral da Casa e atualmente atua como subprocurador-geral. Também é advogado e mestre em Direito Constitucional.

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Nas redes sociais, Iure tem utilizado a própria história profissional para fazer uma crítica ao que considera uma política distante da realidade de quem precisa trabalhar para construir sua trajetória.

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Em uma das publicações, o advogado mostra sua carteira de trabalho com registros de atividades exercidas antes da carreira jurídica, entre elas funções como vendedor, recepcionista e auxiliar de escritório. A mensagem é clara: antes de chegar ao Direito e ao serviço público, ele passou pelo mercado de trabalho e precisou construir seu caminho profissional.

A trajetória também passa pela formação em Direito, pelo ingresso na advocacia e, posteriormente, pela carreira pública. Iure se tornou servidor de carreira do Legislativo goiano e chegou a ocupar, ainda jovem, o comando da Procuradoria da Alego.

“De onde eu vim”

Ao apresentar a própria carteira de trabalho, Iure coloca em discussão uma questão que costuma aparecer no debate eleitoral: a experiência de vida de quem pretende ocupar um cargo público.

A crítica feita pelo candidato é direcionada principalmente a políticos que, segundo ele, nunca teriam experimentado uma trajetória profissional semelhante à de milhões de brasileiros que precisam trabalhar desde cedo.

O argumento de Iure é que conhecer a realidade do trabalhador também significa ter vivido as dificuldades do mercado de trabalho, começando por funções mais simples e avançando por meio de estudo, qualificação e esforço profissional.

Em janeiro deste ano, Iure afirmou que sua intenção era disputar uma eleição majoritária e confirmou que sua prioridade era a candidatura ao Senado, admitindo recuar somente diante de uma eventual possibilidade de disputar o Governo de Goiás.

Uma candidatura que tenta se diferenciar

A estratégia coloca a trajetória pessoal no centro do discurso eleitoral. Em vez de apresentar apenas currículo político, Iure procura mostrar de onde veio e como chegou à posição que ocupa atualmente.

A candidatura, porém, ainda enfrenta o desafio de conquistar espaço em uma disputa que reúne nomes conhecidos da política goiana. Pesquisas divulgadas ao longo de 2026 mostram Iure com percentuais menores de intenção de voto, embora seu nome já apareça nos levantamentos sobre a corrida ao Senado. Em levantamento do Goiás Pesquisas/Mais Goiás realizado em maio, por exemplo, ele registrou 1% no primeiro voto.

Outro levantamento, realizado pelo Diagnóstico em junho, registrou Iure Castro com 0,4% na pergunta estimulada sobre o Senado.

Mas a eleição ainda está em andamento e a campanha poderá alterar o cenário.

A pergunta que fica

Ao mostrar a própria carteira de trabalho, Iure Castro coloca uma pergunta no debate político:

Quantos políticos que hoje disputam espaço em Brasília teriam coragem de mostrar ao eleitor de onde vieram, quais foram seus primeiros empregos e como construíram sua trajetória profissional?

Mais do que uma carteira de trabalho, o gesto de Iure tenta transformar sua história pessoal em argumento político: a defesa de que quem pretende representar a população também deve conhecer, na prática, a realidade de quem trabalha, enfrenta dificuldades e precisa construir sua própria oportunidade.