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Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), indicam que os registros policiais de bullying e cyberbullying contra crianças e adolescentes no Brasil cresceram 67,3% em 2025 na comparação com o ano anterior. Foram 5.226 ocorrências somando as duas práticas envolvendo vítimas de 0 a 17 anos no ano passado, ante 3.161 em 2024. Foi o maior crescimento entre todos os indicadores de violência contra crianças e adolescentes analisados pela publicação.
Contudo, os boletins de ocorrência tendem a refletir apenas os casos mais graves ou persistentes, que extrapolam a capacidade de resposta das escolas. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), divulgada em março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que quatro em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmam já ter sofrido bullying na escola, um universo muito maior que as pouco mais de cinco mil ocorrências registradas pelas polícias em 2025.
A neuropsicóloga Aparecida Tavares, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, aponta que pelo fato de o bullying ser um comportamento problema, é uma pseudo relação de poder entre o agressor e a vítima, e impacta profundamente a vida e a saúde mental de quem sofre. "Por se tratar de violência psicológica, verbal, física e até de gênero, o bullying gera na pessoa agredida comportamentos como de esquiva, isolamento social, rebaixamento no desempenho de suas atividades, inclusive as escolares/acadêmicas, baixa autoestima, o sentimento de menos valia, de insegurança e rejeição".
Fobia social
No vídeo divulgado terça-feira (20), que é o Dia Mundial de Combate ao Bullying, o youtuber e influenciador Felipe Bressanim Pereira, mais conhecido como Felca, afirma ter sofrido bullying no ambiente escolar por oito anos e faz relatos de episódios de exclusão e violência física, os quais contribuíram para que ele desenvolvesse fobia social, um transtorno mental caracterizado pelo medo de relações sociais. No vídeo, ele relata o uso de álcool para lidar com a ansiedade em contextos sociais.
Aparecida Tavares explica sobre o problema. "A fobia social, atualmente nomeada como ansiedade social tem como sinais e sintomas o isolamento social, a esquiva para não ter que lidar com a interação social ou exposição a situações vexatórias praticadas pelo bullying, por exemplo, que traz sintomas de medo exacerbado, taquicardia, problemas gastro intestinais, tremores, rubor facial, tonturas, sudorese, aumento da frequência cardiorrespiratória e desencadeamento de depressão severa".
De acordo com a especialista, que já foi vítima de bullying durante a faculdade, esse transtorno pode ser observado pelos pais e professores, tendo em vista ser muito mais incidente na fase infanto juvenil. "A vítima fica mais isolada, triste, pode ter dores estomacais, náuseas, diarreias, dor de cabeça, principalmente quando sabe que tem que ir para o local onde está instalado o bullying. O tratamento exige parceria importante da escola, dos pais, psicopedagogo, psicólogo, psiquiatra", destaca.
Segundo a neuropsicóloga, ressalta que o bullying não escolhe idade e ocorre em diferentes cenários, sendo que o adulto tende a não perceber que está sendo vítima, por isso precisa conhecer para intervir, já a criança ou adolescente pode levar esses impactos para a vida adulta, na presença de traumas. "Dificuldades para sentir-se validado e o surgimento ou agravamento de transtornos mentais, como o de ansiedade social (fobia social), de humor, de adaptação, o que pode inclusive ser também um desencadeador de pensamentos disfuncionais como de autolesão, culminando inclusive com ideação suicida, tentativas de suicídio e o próprio autoexterminio, devido tamanho sofrimento psíquico, ou a busca por vingança, a ponto de colocar em risco a si e a comunidade escolar".
Publicado por:
Comunicação Sem Fronteiras
Comunicação Sem Fronteiras Assessoria de Comunicação Integrada Goiânia - GO
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