Quase três a cada 10 goianos vivem de aluguel, segundo o estudo Características dos Domicílios, do Censo 2022 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em números exatos, cerca de 27,67% da população goiana mora de aluguel, o que representa 711.977 de pessoas, sendo 188.462 só em Goiânia.
Na hora de encontrar onde morar, esse público precisa se preocupar com outros detalhes além da localização e do valor do aluguel. Antes de fechar contrato, é importante também se atentar para a vistoria. Através dela, a real condição do imóvel é atestada, o que evita dores de cabeça - leia-se: despesas -  futuras.
A CEO da Asa Imobiliária, Agni Aguiar, especialista na área, explica que é nesse documento em que se registra as condições do imóvel no momento da entrega, com destaque para a cobertura, portas de acesso, itens de segurança, pontos de água e energia em funcionamento, além do estado da pintura.
“A vistoria bem feita protege tanto o inquilino quanto o proprietário, porque registra de forma clara como o imóvel foi recebido e como deve ser devolvido”, orienta. Ela lembra ainda que o papel do vistoriador é técnico e documental: ele registra as condições encontradas, sem poder de determinar reparos naquele momento.
Na prática, o ideal é que o inquilino acompanhe a vistoria de forma ativa. Testar torneiras, verificar a pressão da água, acender luzes, conferir tomadas, interruptores e observar o funcionamento do quadro elétrico são medidas simples que ajudam a identificar problemas antes da assinatura.
“Tudo que puder ser testado deve ser testado na hora, sempre com registro no laudo”, reforça Agni. Caso haja dúvida técnica, também é possível solicitar a presença de um profissional de confiança para acompanhar a vistoria, desde que previamente alinhado com a imobiliária ou o proprietário.
Elétrica e hidráulica
A parte hidráulica exige um olhar atento. Mesmo pequenos sinais podem indicar problemas maiores. “É importante certificar se há qualquer indício de vazamento. Umidade em paredes, manchas no teto ou água empoçada nunca devem ser ignoradas e precisam ser investigadas antes da assinatura do contrato”, alerta a especialista.
Já na elétrica, a recomendação é avaliar se a instalação é compatível com o uso que o inquilino pretende fazer do imóvel. Isso inclui verificar se a rede é monofásica ou trifásica, a quantidade e a distribuição das tomadas e se o quadro elétrico está bem dimensionado, com circuitos separados. “Esse cuidado é essencial principalmente para quem trabalha em casa ou utiliza equipamentos que exigem mais da rede elétrica”, explica.
Outro ponto que costuma gerar dúvidas é o chamado desgaste natural. Ele se refere às alterações decorrentes do uso normal do imóvel ao longo do tempo, como pequenas manchas ou marcas e leve desgaste de pintura ou de componentes, sem que haja dano por mau uso. Quando há quebra, negligência ou intervenção indevida, a responsabilidade deixa de ser considerada desgaste natural.
Para evitar conflitos, Agni recomenda observar e manter padrões adequados de limpeza, conservação e manutenção. “Cuidar bem dos itens do imóvel aumenta a vida útil deles e evita problemas no fim do contrato”, destaca.
Portas e janelas merecem atenção especial, principalmente no funcionamento das fechaduras, chaves e regulagens. No caso de portas de madeira, o cuidado deve ser redobrado durante a limpeza. “É comum o dano acontecer quando se joga água diretamente na porta. A madeira pode inchar e comprometer a folha”, orienta.
Por fim, ainda durante a vistoria, o inquilino deve informar qualquer modificação que pretenda fazer ou se possui algum equipamento de uso específico. Isso permite avaliar, desde o início, se o imóvel atende às suas necessidades. “Quanto mais transparente for esse momento, menor a chance de surpresas depois”, conclui Agni.