O endividamento constitui-se em um dos dramas da economia goiana. De acordo com números da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), uma em cada três famílias goianas possui algum tipo de pendência econômica. Uma das soluções de longo prazo mais abordadas recentemente é a inclusão da educação financeira no currículo escolar. 

Quem defende a ideia pontua a necessidade de agir no campo educacional como uma urgência, diante do que parece ser uma arraigada cultura de maturidade ao lidar com recursos financeiros. Segundo dados do Banco Central, Goiânia é uma das capitais mais inadimplentes do país: 6,5% dos goianienses não conseguem pagar o que devem. 

Trabalhar as próximas gerações a partir de um contato mais próximo com o universo das finanças afigura-se, para um número crescente de indivíduos, a melhor forma de interromper, estruturalmente, o ciclo do endividamento. 

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No estado, uma das principais alternativas nesse campo de ações possíveis tem origem na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). De autoria do deputado estadual Veter Martins (PSB), o Projeto de Lei nº 2052, de 2023, propõe a inclusão da educação financeira na grade curricular ao longo de todo o ciclo educacional na rede pública estadual: do ensino fundamental ao médio. 

O texto do PL propõe que a disciplina seja incluída de forma segmentada na rotina escolar, obedecendo os níveis de maturidade para o tema próprios às várias fases da infância e da adolescência. Além disso, sugere a adoção de metodologia lúdica - com brincadeiras, jogos interativos e mídias digitais. Também inclui ferramentas de engajamento, tais como palestras, oficinas e feiras temáticas, a partir de uma abordagem prática ao final do ciclo, em uma vivência cotidiana com temas como poupança, orçamento e endividamento. 


Laboratórios de educação financeira

Empresário e empreendedor, o pré-candidato a uma vaga na Alego Felipe Mabel (Podemos) defende a criação de laboratórios de empreendedorismo nas escolas. “Os projetos que já existem em nosso parlamentos são bons, mas acredito que podem ser melhorados. Penso que é possível adotar um modelo inspirado na empresa escola, onde os alunos poderiam ser levados a experimentar o que aprendem na sala de aula, na disciplina Educação Financeira, na prática”, vislumbra o postulante. 

Mabel propõe que os laboratórios de educação financeira na escola sejam espaços onde o exercício da inventividade, da imaginação e da criatividade podem ser aplicados às ferramentas e ao universo das finanças, em conjunto com os cuidados técnicos e ao conhecimento acumulado referente aos cuidados com a preservação da capacidade financeira. “Nesses locais os alunos podem criar produtos, propor soluções, organizarem-se para produzir resultados. Seria uma verdadeira revolução na forma de enxergar a economia”, comenta. 

Por fim, Felipe Mabel salienta que a criação de um ambiente de criatividade e inovação em uma eventual inclusão da educação financeira no currículo escolar deve se atentar para a criação de uma cultura de respeito à responsabilidade com o equilíbrio orçamentário. “Nós vamos garantir um futuro com cidadãos plenamente conscientes da necessidade de não gastar mais que a renda disponível. Tenho certeza de que vários dos problemas que temos hoje, inclusive a nível de gestão pública, serão evitados pelas novas gerações”, frisa.