A obra do viaduto na entrada de Formosa (GO), na BR-020, já ultrapassou todos os limites da paciência da população. O que deveria ter sido entregue há anos tornou-se um cemitério de promessas, com paralisações sucessivas, canteiros vazios, retomadas lentas e uma sequência de anúncios que nunca saem completamente do papel.

A duplicação da rodovia entre o km 0 e o km 12 — que inclui o viaduto principal, vias marginais, oito estruturas de transposição e nova pavimentação — começou ainda no governo anterior, mas se arrasta sem conclusão, afetando diretamente o trânsito e o desenvolvimento da cidade.

Obra parou porque “morreu no meio do caminho”

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O colapso aconteceu em 2022, quando o consórcio contratado simplesmente abandonou o projeto. Isso gerou rescisão, reanálise, revisão de orçamento, atualização de projeto e um retorno à estaca zero. O Ministério dos Transportes admitiu que todo o processo burocrático atrasou o cronograma em quase dois anos.

A nova ordem de serviço só foi assinada em agosto de 2024, com um aporte de cerca de R$ 192 milhões. Ainda assim, o que se viu desde então foi uma retomada lenta, marcada por frentes pequenas e pouco avanço visível para quem passa diariamente pela rodovia.

Avanço tímido e paciência esgotada

O DNIT afirma que trabalha em várias etapas ao mesmo tempo:

terraplenagem da nova pista;

drenagem profunda e superficial;

contenção de erosão;

construção da estrutura do viaduto do km 6;

execução do Acesso 1, onde o fluxo é mais crítico.


Mas, para a população, o que se vê é outro cenário: máquinas paradas em dias alternados, longos trechos sem operários, trânsito lento e falta de informações claras. Uma obra dessa importância não pode avançar “a conta-gotas”.

A pergunta que não quer calar: por que não entregam?

Ainda faltam os serviços mais pesados: pavimentação completa, finalização dos viadutos, marginais e toda a sinalização. Nada disso tem um prazo final anunciado.

Quando foi retomada, em 2024, a promessa oficial era de entrega até o fim de 2025 ou primeiro semestre de 2026. Hoje, com o ritmo atual, especialistas apontam que o prazo real pode empurrar a conclusão para o final de 2026 ou até além, caso não haja uma mudança de postura.

Um prejuízo diário para toda a região

Enquanto isso:

comerciantes sofrem com o acesso prejudicado;

motoristas enfrentam lentidão e riscos de acidente;

caminhoneiros perdem tempo e dinheiro;

moradores reclamam que "a entrada da cidade virou um gargalo permanente".


A BR-020 é uma das principais rotas do Centro-Oeste, conectando Goiás, DF, Bahia e Nordeste. Uma obra desse porte parada ou lenta representa prejuízo regional — não apenas local.

O que dizem os moradores

Para quem vive em Formosa, o sentimento geral é de descaso. Muitos questionam por que cidades menores recebem obras viárias mais rápidas, enquanto uma rodovia federal crucial para o estado continua sem conclusão.

Comentários constantes nas redes sociais giram em torno de três pontos:
(1) falta de transparência,
(2) promessas que não se cumprem,
(3) ritmo insuficiente para uma obra tão urgente.

O que diz o DNIT

O DNIT afirma que a obra está “em ritmo contínuo”, com acompanhamento direto do Ministério dos Transportes, e que a prioridade é concluir o complexo de viadutos e entregar o trânsito duplicado. Entretanto, até agora não divulgou um novo prazo oficial — o que mantém a população no escuro.

Conclusão: Formosa espera, cobra e exige

A entrada da cidade é a porta de acesso para quem vive, trabalha e investe na região. O atraso desse viaduto não é apenas um problema de infraestrutura — é um símbolo do quanto a região do Entorno do Distrito Federal ainda sofre para ser tratada com prioridade.

A população faz sua parte: paga impostos, enfrenta o trânsito, convive com o caos diário. Agora, quer que o governo faça a dele: entregar a obra que já deveria estar pronta.