Valparaíso de Goiás vive há anos uma falha grave de gestão pública, na qual escolhas políticas equivocadas foram feitas enquanto problemas estruturais urgentes eram ignorados. O avanço contínuo de uma voçoroca nas proximidades da BR-040 empurrou o município para a beira do abismo e escancarou um cenário real de colapso anunciado, colocando em risco a população e uma das rodovias federais mais importantes do país.

O que muitos ainda tentam minimizar como um simples “buraco” é, na verdade, uma erosão profunda, extensa e extremamente perigosa, que cresce mês após mês, sobretudo durante o período chuvoso. Trata-se de um problema antigo, conhecido, visível e ignorado ao longo de diferentes gestões municipais.

Tragédia anunciada a poucos metros da BR-040

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Atualmente, a voçoroca está a menos de 20 metros da BR-040. O avanço é perceptível a olho nu. Não é exagero nem discurso alarmista: é um fato concreto. Caso a erosão atinja a rodovia, Valparaíso poderá enfrentar acidentes graves, interdição da via, colapso no tráfego regional e prejuízos econômicos e sociais incalculáveis.

Se isso acontecer, ninguém poderá alegar surpresa. A tragédia está anunciada há anos.

Problema antigo, ignorado por conveniência política

A voçoroca não surgiu recentemente. Ela cresceu diante dos olhos de prefeitos, secretários e vereadores. Cresceu enquanto decisões políticas eram tomadas para áreas menos urgentes, porém mais visíveis do ponto de vista eleitoral.

Na linguagem popular, a explicação é direta: buraco não dá voto. Resolver um problema estrutural não rende inauguração, palanque ou discurso fácil. Por isso, foi sendo empurrado para frente, enquanto o risco avançava silenciosamente.

Viaduto não era prioridade

O maior símbolo dessa falha grave de gestão pública é o viaduto da BR-040, iniciado durante a gestão do ex-prefeito Pábio Mossoró e até hoje inacabado. A obra se tornou o retrato da inversão de prioridades administrativas.

É preciso afirmar com clareza: o viaduto nunca foi prioridade. Antes de qualquer obra viária, a obrigação da gestão pública era conter a voçoroca e garantir a segurança da população e da rodovia federal. Iniciar um viaduto enquanto um problema estrutural grave avançava foi uma escolha política equivocada.

Concreto abandonado e dinheiro público desperdiçado

O resultado foi um legado incompleto: recursos públicos gastos, obra parada e risco mantido. O viaduto virou concreto abandonado à beira do abismo, enquanto a voçoroca seguiu crescendo, ameaçando casas, vias urbanas e a BR-040.

Esse é o retrato deixado para Valparaíso: obra inacabada, problema estrutural sem solução definitiva e uma cidade convivendo diariamente com o medo de um colapso.

Transporte sobre trilhos: projeto importante, mas não prioridade diante do abismo

Nos últimos meses, voltou ao debate a implementação do transporte de passageiros sobre trilhos entre o Entorno Sul e Brasília, um projeto que, sem dúvida, pode representar avanço na mobilidade urbana e na integração regional.

No entanto, a população cobra coerência e prioridade. Não é razoável discutir grandes projetos de longo prazo enquanto um problema estrutural grave ameaça vidas, imóveis e uma rodovia federal. Antes de trilhos, estações e promessas de modernização, é preciso garantir o básico: segurança, estabilidade do solo e contenção definitiva da voçoroca.

Projetos estruturantes são bem-vindos, mas não podem servir como cortina de fumaça para esconder omissões antigas e riscos iminentes.

O eleitor precisa lembrar na hora do voto

O ex-gestor não deixou um legado 100% concluído. Valparaíso herdou decisões erradas, prioridades invertidas e um dos maiores problemas estruturais do município sem resposta concreta.

Na democracia, memória é fundamental. Votar sem lembrar desse histórico é permitir que os mesmos erros se repitam.

Festa, show e descaso com o essencial

Enquanto a voçoroca avançava, a prioridade da gestão passada esteve voltada para eventos, festas, rodeios e shows. Não se trata de ser contra eventos culturais, mas de reconhecer que o essencial foi negligenciado.

A cidade era entretida, enquanto o solo cedia e o abismo crescia.
Eleições se aproximam e promessas reaparecem

Mesmo diante desse histórico, o ex-prefeito Pábio Mossoró anunciou a intenção de disputar as eleições de 2026. É um direito legítimo. Mas o povo também tem um direito inegociável: lembrar do que foi feito e do que foi ignorado.

  • Lembrar da voçoroca avançando.
  • Lembrar do viaduto que não era prioridade.
  • Lembrar das escolhas políticas equivocadas.

Soluções paliativas não resolvem omissão

Na atual gestão, comandada pelo prefeito Marcus Vinícius, houve repasse de responsabilidade ao Governo Federal e intervenções paliativas. As chuvas recentes mostraram que a medida não resolveu o problema. A erosão continuou avançando.

Soluções temporárias apenas empurram o risco para frente. O problema exige ação técnica, definitiva e urgente.

Memória, consciência e responsabilidade

Com a proximidade do período eleitoral, reaparecem vídeos, discursos e promessas de que “agora vai”. A pergunta que ecoa em Valparaíso continua sem resposta:
por que isso não foi feito antes, enquanto a voçoroca crescia a cada mês?

Na linguagem do povo, o recado é direto:

  •  buraco na BR pode não dar voto, mas abismo, colapso anunciado, obra inacabada e falha grave de gestão pública não podem ser esquecidos.

Valparaíso de Goiás precisa de responsabilidade, planejamento e coragem política. E a população precisa exercer seu direito de escolha com memória, consciência e responsabilidade.