A Prefeitura de Valparaíso de Goiás voltou ao centro das críticas após a publicação do Decreto nº 712, de 12 de dezembro de 2025, que estabelece ponto facultativo nas repartições públicas do Poder Executivo Municipal durante o período de fim de ano. Embora a medida tenha como objetivo organizar o funcionamento dos serviços públicos nas celebrações natalinas e de Ano-Novo, a forma como foi aplicada tem causado insatisfação e revolta entre servidores municipais.

De acordo com o decreto, o ponto facultativo foi definido para os dias 24 e 26 de dezembro de 2025, em razão do Natal, e para os dias 31 de dezembro de 2025 e 2 de janeiro de 2026, em virtude das comemorações de Ano-Novo. No entanto, o que mais chama a atenção — e gera críticas — é o fato de que nos dias 24 e 31 de dezembro o ponto facultativo passa a valer apenas a partir das 12h.

A decisão contraria uma tradição histórica em Valparaíso de Goiás e em diversos órgãos públicos do país, onde o ponto facultativo nessas datas costuma abranger todo o dia, permitindo melhor organização dos servidores, especialmente aqueles que residem longe do local de trabalho.

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Para muitos funcionários públicos municipais, a medida demonstra falta de sensibilidade da atual gestão. Servidores relatam que precisam sair cedo de casa, enfrentar transporte público lotado e longos deslocamentos apenas para cumprir meio expediente, o que tem gerado desmotivação e clima de insatisfação nas repartições.

Outro ponto que gera preocupação é o impacto direto no atendimento à população. Um servidor que comparece ao trabalho apenas por obrigação legal, sem motivação e em um dia atípico, tende a oferecer um atendimento limitado. Na prática, o decreto pode resultar em repartições abertas, porém com baixa produtividade, serviços burocráticos e pouca efetividade.

O Decreto nº 712 também prevê que as repartições cujas atividades sejam consideradas essenciais deverão manter o funcionamento por meio de escalas de serviço, com o objetivo de garantir a continuidade do atendimento à população e a preservação do interesse público. A norma entrou em vigor na data de sua publicação.

Apesar da justificativa administrativa, a medida reforça a percepção de que cada gestão imprime sua marca na condução do município — e, neste caso, a gestão do prefeito Marcus Vinícius optou por um modelo que rompe com a tradição e amplia o desgaste na relação com o funcionalismo público.

Ao final, fica o questionamento: qual a qualidade do atendimento oferecido à população quando o próprio servidor se sente desvalorizado? O decreto está em vigor, é legal, mas seus reflexos práticos e políticos já começam a ser sentidos dentro e fora das repartições públicas de Valparaíso de Goiás.