O tio da advogada Tatiane Meireles — presa suspeita de tortura, agiotagem e extorsão — teve o nome usado para abertura de uma conta bancária depois de não conseguir pagar um empréstimo feito pelo marido da sobrinha, o sargento Herbert Francisco Póvoa, conhecido como Mike Póvoa. A afirmação foi feita por familiares, que preferiram não se identificar.

O idoso também foi preso na Operação “Mão de Ferro”, deflagrada na última sexta-feira (28), que levou à prisão da advogada, policiais militares e empresários suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada em agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro no município de Luziânia, no Entorno do Distrito Federal.

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A defesa de Tatiane Meireles informou, em nota, que respeita o sigilo e a regularidade das investigações e que "a verdade prevalecerá no tempo adequado, restabelecendo a justiça e a integridade profissional da advogada".

Empréstimo, juros e conta em nome do idoso

De acordo com familiares, Tatiane e Herbert se mudaram há cerca de três anos para a casa vizinha à do tio da advogada. Depois disso, o sargento teria feito um empréstimo para o idoso quitar uma dívida pessoal. Contudo, o militar passou a cobrar juros em cima do valor e o tio da advogada não conseguiu arcar com as parcelas.

Por causa disso, segundo a família, Herbert teria exigido que o idoso abrisse uma conta bancária, que seria movimentada pelo próprio sargento. Os parentes afirmam que o tio não sabia como a conta seria utilizada e não tinha qualquer acesso a ela.

Ainda conforme relatos da família, o idoso vivia de sua aposentadoria e do lucro de um pequeno bar que mantinha no lote onde morava.

 

Operação “Mão de Ferro”

A Polícia Civil de Goiás afirma que a organização criminosa movimentou mais de R$ 7 milhões nos últimos dois anos, oferecendo empréstimos com juros abusivos e usando violência para cobrar dívidas.

Testemunhas relataram às autoridades que sofreram ameaças com armas, intimidações constantes, agressões físicas e pressão psicológica.

A operação mobilizou cerca de 80 policiais civis, que cumpriram nove mandados de prisão e mais de dez mandados de busca e apreensão. Segundo a polícia, Tatiane Meireles atuava na “blindagem jurídica” do grupo e participava das cobranças violentas.

Todos os presos passaram por audiência de custódia no sábado (29) e permanecem detidos.

Posicionamentos

Polícia Militar de Goiás

A PM-GO informou que três militares foram presos durante a operação e que a corporação “não compactua com desvios de conduta”. Disse ainda que medidas administrativas já foram adotadas e que continuará colaborando com as investigações.

OAB-GO

A Ordem dos Advogados do Brasil — Seção Goiás — repudiou o suposto envolvimento da advogada no caso e determinou seu afastamento preventivo das funções institucionais. A entidade abrirá procedimento ético-disciplinar para apurar a conduta.

Defesa de Tatiane Meireles

A defesa destacou a carreira da advogada, que atua há mais de 20 anos em Luziânia, afirmou que ela sempre teve conduta ética e que nunca respondeu a qualquer processo disciplinar. Disse ainda que o caso possui “camadas profundas e complexas” e que Tatiane confia na Justiça.