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O que leva uma empresa comercial, bem estabelecida no mercado, com loja na capital goiana, a colocar um cartaz na porta de sua loja afirmando: “Aqui não entra petista”? A pergunta vai além da política. Trata-se de um problema social, econômico e, sobretudo, moral.
Em uma democracia, toda pessoa tem o direito de ser de esquerda, de direita ou de qualquer outra corrente ideológica. Esse direito é assegurado pela Constituição. Quando o responsável por um estabelecimento transforma o espaço comercial em instrumento de exclusão política, o que se revela não é convicção, mas intolerância — e uma clara desconexão com a realidade do país em que vive.
O Brasil é um país capitalista, onde nenhuma empresa existe fora do alcance do Estado. Um comércio só funciona porque possui CNPJ, alvará, inscrição estadual e municipal, e porque está submetido à fiscalização de órgãos públicos, como a Receita Federal. Não existe empresa “fora do governo”. Todas dependem, direta ou indiretamente, da estrutura pública para operar.
Mais grave ainda é quando esse mesmo responsável decide protagonizar uma suposta ação social de forma completamente temerária: utilizar uma aeronave para sobrevoar um município e lançar pedaços de carne do alto, em área rural, expondo pessoas a riscos reais de acidentes e transformando a necessidade alheia em espetáculo.
É preciso perguntar: qual foi o verdadeiro objetivo dessa ação? Ajudar quem precisa ou gerar engajamento em redes sociais? Solidariedade não pode ser confundida com humilhação pública. Pessoas correndo atrás de uma aeronave em busca de alimento não representam generosidade — representam uma cena de degradação social.
Alternativas dignas não faltam. ONGs, associações comunitárias, igrejas e projetos sociais realizam diariamente a distribuição de alimentos com organização, respeito e segurança. Parcerias poderiam ter sido estabelecidas para garantir que a ajuda chegasse a quem realmente precisa, sem exposição, sem risco e sem transformar a pobreza em marketing.
A caridade verdadeira não exige aplausos, tampouco vídeos sensacionalistas. E a ideologia, quando usada como critério de exclusão, apenas aprofunda divisões que não constroem uma sociedade melhor.
Agentes econômicos têm papel fundamental no desenvolvimento do país, mas esse papel vem acompanhado de responsabilidade social. Quando essa responsabilidade é ignorada, o que sobra não é posicionamento político — é falta de humanidade.
Publicado por:
Redação Goiânia -GO
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