As declarações do prefeito de Valparaíso de Goiás, Marcus Vinícius, ao classificar moradores como “irresponsáveis” por conta do descarte irregular de lixo, geraram repercussão e abriram um importante debate sobre a responsabilidade do município na gestão de resíduos sólidos.

Assista ao vídeo abaixo em que o prefeito Marcus Vinícius chama os moradores de “irresponsáveis”.

Embora o discurso do gestor encontre respaldo em leis municipais que preveem punições para o descarte inadequado, especialistas e moradores destacam que a legislação não autoriza o uso de termos que desrespeitem a população.

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Além disso, a própria norma estabelece deveres não apenas para o cidadão, mas também para o poder público. Um dos trechos da legislação determina:

§ 3º Os restos de materiais de construção, os entulhos provenientes de demolições, bem como terra, areia, folhas e galhos oriundos de jardins e quintais particulares deverão ser removidos às custas dos respectivos inquilinos ou proprietários, para local previamente indicado pela Prefeitura.

Na prática, isso significa que, embora o descarte seja de responsabilidade do cidadão, cabe ao município indicar e disponibilizar locais adequados para que isso aconteça de forma regular.

A crítica que ganha força é que a Prefeitura estaria priorizando medidas punitivas, como multas, sem antes garantir estrutura suficiente para que a população cumpra as regras. A ausência de pontos de descarte acessíveis e a falta de campanhas educativas são apontadas como falhas na condução do problema.

“É fácil transferir a responsabilidade para a população. Mas o que o cidadão deve fazer se não existem locais regularizados para o descarte? Vai engolir o lixo?”, questionam moradores.

Outro ponto levantado é a necessidade de campanhas de conscientização em larga escala, utilizando rádio, televisão e redes sociais para orientar a população sobre o descarte correto. A comunicação preventiva é vista como essencial antes da aplicação de penalidades.

Modelos adotados em outras cidades também entram no debate, como os serviços conhecidos como “cata-treco”, que realizam o recolhimento de móveis velhos, entulhos e resíduos de grande volume, contribuindo diretamente para a limpeza urbana.

Quanto aos recursos, há o entendimento de que o município possui meios para investir nesse tipo de serviço, inclusive por meio da taxa de lixo, frequentemente incluída nas contas de água e destinada justamente à manutenção da limpeza pública.

Diante desse cenário, cresce a avaliação de que o caminho mais eficaz passa por um conjunto de ações: investimento em estrutura, oferta de alternativas viáveis, campanhas educativas e, só então, a aplicação de multas.

Por fim, a forma como o gestor se dirige à população também entrou em pauta. Para muitos, o respeito deve ser a base da relação entre governo e cidadãos — especialmente considerando que foram os próprios moradores que elegeram o atual prefeito.

O debate segue aberto, entre a necessidade de disciplina urbana e a obrigação do poder público de garantir condições adequadas para que a população cumpra seu papel.