Foram quatro meses de abandono.
Quatro meses de medo.
Quatro meses em que o morador precisou escolher entre chegar ao trabalho ou voltar vivo para casa.
Somente nesta quarta-feira (17), a passarela amarela da BR-040, em Valparaíso de Goiás, foi finalmente liberada. Até então, pedestres foram obrigados a atravessar uma das rodovias mais perigosas do país, disputando espaço com carros, ônibus e caminhões em alta velocidade.
Como “solução”, foi instalado um semáforo paliativo.
Na prática, não resolveu.
Motoristas não respeitavam o sinal, avançavam o vermelho e mantinham a alta velocidade. O risco continuou. A travessia seguiu sendo um jogo de azar diário para quem precisava passar pelo local.
A cena virou rotina:
➡️ idosos correndo contra o tempo,
➡️ trabalhadores esperando brechas impossíveis,
➡️ estudantes se arriscando entre veículos pesados.
Tudo isso diante da lentidão do poder público.
Moradores denunciaram.
As redes sociais cobraram.
O perigo era visível.
Mas a resposta definitiva demorou.
Especialistas em segurança viária alertam que medidas improvisadas não substituem estruturas adequadas e que a demora na liberação da passarela poderia ter terminado em tragédia.
Agora, com a travessia liberada, o discurso oficial fala em segurança. Mas a população questiona:
👉 por que aceitar quatro meses de risco, mesmo sabendo que o semáforo não funcionava?
A passarela está aberta.
O perigo imediato passou.
Mas a marca do descaso permanece.
E a pergunta que não cala em Valparaíso é direta:
se uma vida tivesse sido perdida nesse período, quem assumiria a responsabilidade?