A imagem de Nossa Senhora Aparecida entrou no centro da disputa política durante a reta final das eleições de 2026. O assunto ganhou força depois que passou a circular nas redes sociais a informação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar da santa o título de Padroeira do Brasil caso fosse eleito presidente.

A informação, porém, não corresponde a uma proposta apresentada atualmente pelo candidato. O episódio mistura uma declaração recente de Flávio Bolsonaro com um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, que acabou arquivado em 2008.

A declaração que ajudou a alimentar a discussão ocorreu em agosto, quando Flávio Bolsonaro afirmou que, caso chegasse à Presidência da República, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.

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A partir daí, publicações nas redes sociais passaram a relacionar a declaração ao antigo projeto de Galli, que propunha modificar a referência oficial a Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.

Flávio Bolsonaro negou que tenha defendido a retirada do título e afirmou que a informação divulgada contra ele era falsa.

O antigo projeto, de autoria de Victório Galli, foi apresentado em 2007 e arquivado no ano seguinte. Portanto, não se trata de uma proposta atual apresentada por Flávio Bolsonaro.

Mesmo assim, o assunto ganhou dimensão nacional e chegou ao discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante entrevista à Band, Lula afirmou que não considerava aceitável “mexer” com Nossa Senhora Aparecida e declarou que a santa continuaria sendo a Padroeira do Brasil.

A jornalista Adriana Araújo questionou o presidente sobre o fato de a informação envolvendo Flávio Bolsonaro ter sido classificada como fake news. Lula respondeu que não sabia se era fake news e manteve o discurso em defesa da padroeira.

Posteriormente, em eventos de campanha, Lula voltou a abordar o tema. O presidente afirmou que, enquanto estivesse no cargo, Nossa Senhora Aparecida continuaria sendo a padroeira do Brasil.

A declaração colocou a religião novamente no centro da campanha eleitoral e provocou reação da campanha de Flávio Bolsonaro.

O candidato passou a contestar publicamente a associação entre seu nome e o projeto de 2007, afirmando que nunca apresentou proposta para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida.

A polêmica também chegou à Justiça Eleitoral. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção de conteúdos que apresentavam como verdadeira a informação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar o título de Padroeira do Brasil.

O caso posteriormente também chegou ao Supremo Tribunal Federal, em uma discussão envolvendo liberdade de expressão e decisões de retirada de conteúdo das redes sociais.

O autor do antigo projeto, Victório Galli, voltou a falar sobre o assunto e confirmou que a proposta havia sido apresentada por ele em 2007. Galli defendeu sua posição com base no princípio constitucional do Estado laico e confirmou que o projeto acabou arquivado.

A polêmica, portanto, envolve fatos distintos que passaram a ser tratados conjuntamente durante a campanha: uma declaração recente de Flávio Bolsonaro sobre Jesus Cristo, um projeto apresentado quase 20 anos atrás por outro político e as manifestações de Lula em defesa de Nossa Senhora Aparecida.

Até o momento, o ponto central confirmado é que não há uma proposta atual de Flávio Bolsonaro para retirar Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil.

O episódio mostra como temas religiosos podem ganhar forte repercussão durante períodos eleitorais, especialmente quando declarações políticas, projetos antigos e conteúdos publicados nas redes sociais acabam sendo apresentados como se fizessem parte de um mesmo episódio.

Em meio à disputa eleitoral, Nossa Senhora Aparecida acabou se tornando personagem de uma batalha política que ultrapassou o debate religioso e chegou às redes sociais, à Justiça Eleitoral e aos discursos dos candidatos.