As mulheres chefiam metade dos lares goianos. Desse universo, mais de 60%, ou seja, mais de 250 mil chefes de família monoparentais no estado exercem algum tipo de atividade laboral, informal ou não. Entretanto, mais de 107 mil mulheres à frente de lares goianos (29%) não conseguem sequer procurar emprego. Motivo: não têm onde deixar os filhos. Essa circunstância torna a expansão de creches uma verdadeira política de combate ao desemprego feminino. 

A constatação é apenas uma parte do desafio. A outra, mais difícil, é ter a noção do quanto Goiás precisa caminhar para dar solução a esse problema. Segundo números do Censo Escolar de 2025, há um déficit de 31 mil vagas em creches para crianças goianas entre 0 e 3 anos. Para a jornalista e candidata a deputada estadual Arianne Cândido (União Brasil), que faz das pautas ligadas a temas femininos e infantojuvenis suas principais bandeiras, o aumento de vagas em creches funcionaria, de fato, como uma política indireta pro-emprego feminino. 

“Se nós formos usar a metodologia do IBGE, estamos falando no benefício em potencial de mais de meio milhão de mulheres, crianças e adolescentes goianos, membros das famílias chefiadas por essas mulheres impossibilitadas de buscar emprego porque não têm com quem deixar os filhos”, comenta Arianne. Para isso, o poder público teria de fazer frente a uma despesa considerável. De acordo com relatório publicado pelo Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO) seria necessária uma dotação orçamentária de cerca de R$ 1,5 bilhão para a construção das unidades necessárias a zerar o déficit de vagas em creches em Goiás. 

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Para Arianne, as características da demanda são tais que não basta apenas carrear recursos públicos para a compra de vagas. “Seria uma medida ineficaz, porque essa mãe em vulnerabilidade social que vai procurar emprego precisa de outra estrutura de serviços, que vão além do atendimento das necessidades educacionais dos filhos”, explica.

Além de esforços para cobrir o déficit de vagas com a construção de unidades já fisicamente adaptadas às demandas sociais existentes, a candidata sugere uma estrutura completa, em um complexo arranjo institucional e de confluência de esforços. “O modelo em período integral tem de ser incorporado, naturalmente, mas com a possibilidade de plantão noturno, por exemplo, entre as 20 horas e as 22 horas, para cobrir contingências e imprevisibilidades na rotina diária das mães”, observa. A possibilidade de funcionamento nas férias, em formato colônia, com revezamento ou contratação de novos servidores, também é algo mencionado pela postulante a parlamentar. 

Para Cândido, os recursos provenientes de fontes orçamentárias podem ser reforçados por emendas impositivas originadas da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). “Essa dimensão confere um papel relevante aos deputados estaduais na próxima Legislatura. É a hora de o eleitor fazer a sua parte, elegendo aqueles candidatos com maior comprometimento com a educação de crianças e jovens e com as políticas de fomento ao emprego e à renda de mulheres submetidas a processos de vulnerabilidade social”, conclui.