A eleição de 2026 produziu um resultado diferente na trajetória política de Lêda Borges. A candidata do Republicanos aumentou sua votação estadual em relação a 2022, mas não conseguiu transformar esse crescimento em uma nova cadeira na Câmara dos Deputados.

Lêda recebeu 69.417 votos em 2026, contra 51.346 em 2022. Foram 18.071 votos a mais, crescimento de aproximadamente 35%. Mesmo com o aumento, terminou fora das 17 vagas destinadas a Goiás e ficou como suplente.

O resultado chama atenção principalmente pelo comportamento do eleitorado do Entorno de Brasília, região que durante anos esteve entre as principais bases eleitorais de Lêda.

Em Valparaíso de Goiás, por exemplo, Lêda continuou sendo a candidata mais votada para deputada federal em 2026, com 13.021 votos. Porém, em 2022 ela havia recebido 18.331 votos no município. A diferença representa uma redução de 5.310 votos.

Valparaíso continua, portanto, sendo uma cidade importante para a candidata, mas a concentração de votos diminuiu. Em 2026, a disputa também foi mais equilibrada. Dra. Zeli recebeu 12.841 votos, apenas 180 a menos que Lêda.

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O cenário foi ainda mais significativo em Luziânia. Em 2022, Lêda havia recebido 4.518 votos no município. Em 2026, sua votação caiu de forma expressiva, reduzindo a participação da cidade no resultado regional da candidata.

Luziânia, por outro lado, manteve uma forte votação para Célio Silveira, que novamente demonstrou força eleitoral no município e conseguiu uma das vagas para a Câmara dos Deputados.

Novo Gama apresentou uma situação diferente. Lêda passou de 4.661 votos em 2022 para 8.662 em 2026, crescimento de aproximadamente 86%. A candidata terminou em segundo lugar no município, atrás de Magda Mofatto.

Cidade Ocidental também apresentou crescimento na votação de Lêda. Em 2022, ela havia recebido 4.332 votos na cidade e conseguiu ampliar sua presença eleitoral no município em 2026.

Os números mostram que não houve uma perda generalizada da força política de Lêda no Entorno. O que ocorreu foi uma mudança na distribuição de sua votação.

Parte dos votos perdidos em municípios que tradicionalmente apresentavam uma concentração maior foi compensada pelo crescimento em outras cidades e pela ampliação da votação em diferentes regiões de Goiás.

Esse movimento ajuda a explicar uma situação que, à primeira vista, pode parecer contraditória: Lêda teve mais votos em 2026 do que quando foi eleita em 2022, mas não conseguiu retornar à Câmara.

A eleição para deputado federal é proporcional. A distribuição das cadeiras considera o desempenho dos partidos e federações, além da votação individual dos candidatos dentro das regras eleitorais. Por isso, o crescimento da votação pessoal não garante, isoladamente, uma vaga.

Em 2026, Goiás teve 17 cadeiras na Câmara dos Deputados. Lêda terminou fora da relação dos eleitos e ficou como suplente.

O resultado também mostra que a disputa política no Entorno ficou mais pulverizada. Cidades que anteriormente apresentavam uma concentração maior de votos em determinadas candidaturas passaram a distribuir sua votação entre um número maior de nomes.

No caso de Lêda, Valparaíso permaneceu como uma importante referência eleitoral, mas com uma votação menor que a registrada em 2022. Luziânia também deixou de entregar a mesma quantidade de votos, enquanto Novo Gama apresentou crescimento expressivo.

Dessa forma, os números não permitem afirmar que Lêda simplesmente perdeu sua base eleitoral. A leitura mais precisa é que a candidata perdeu força em algumas bases tradicionais, especialmente em determinados municípios do Entorno, mas conseguiu ampliar sua votação em outras regiões.

A eleição de 2026 deixa, portanto, um cenário diferente para Lêda Borges. Ela terminou o pleito com uma votação estadual maior do que aquela que garantiu sua eleição em 2022, mas a nova distribuição dos votos, a concorrência regional e a composição partidária não foram suficientes para colocá-la novamente entre os 17 deputados federais eleitos por Goiás.