O mercado fitness em Goiânia vive um “boom”. A capital exibe atualmente a maior densidade de academias per capita do país, de 1.656 habitantes por estabelecimento, de acordo com levantamento realizado pela consultoria Córtex a partir de dados da Receita Federal. Como alta demanda e diversificação andam juntos, um novo nicho de atividade tem chamado a atenção: o das assessorias esportivas realizadas em parques e áreas públicas. Para favorecer o surgimento de iniciativas nesse mercado emergente, propostas têm surgido, inclusive, no sentido da destinação de espaços em parques especialmente para esses novos empresários da saúde esportiva. 

Entre novos modelos de negócio em ambientes fechados - como as propostas a baixo custo das redes no segmento das “fit”, e os estabelecimentos de luxo, que chegam a cobrar mensalidades acima de R$ 1.500 -, começam a ganhar espaço as propostas no formato dos grupos de corrida e assessorias esportivas em outras modalidade, que operam em espaços públicos, em parques como o Vaca Brava, no Setor Bueno, e Flamboyant, no Jardim Goiás. 

O crescimento desse tipo de iniciativa causou uma prática cada vez mais visível nessas áreas: tendas, caixas de som, argolas, cones e pistas de desempenho são utilizadas por grupos de alunos uniformizados, atendidos por equipes de profissionais de educação física, proprietários de empresas destinadas a oferecer programas de exercícios ao ar livre. 

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Por serem executadas em espaços públicos, os empreendedores que desejam iniciar suas atividades nesse novo nicho de mercado necessitam obter, basicamente, duas licenças. A primeira é uma autorização emitida pela Agência Municipal do Meio Ambiente (AMMA), obtida em formato digital a partir de requisição no portal de serviços e-Resolve, da Prefeitura de Goiânia. A segunda é um alvará da Secretaria Municipal de Planejamento e Habitação (SEPLANH), para o uso regular de banners, emissão de som e delimitações de espaço. 

Equipamentos

O crescimento desse mercado tem despertado propostas que chegam à disputa eleitoral deste ano. Profissional de educação física e fisioterapeuta, o pré-candidato a deputado estadual Felipe Mabel (Podemos) defende a melhoria da oferta de equipamentos nos parques como forma de promoção do esporte de rua. “Temos de criar estruturas como áreas pavimentadas físicas, pontos de energia para caixas de som e cronômetros, armários públicos integrados e postos de hidratação em parques e praças”, sugere. 

O postulante também defende o início de uma política de fomento à atividade a partir de agências públicas. “Pode ser criada uma linha de crédito, por exemplo, para profissionais de educação física recém-egressos da universidade que se interessem pela prática do esporte de rua, com taxas de juros inferiores às do mercado e com prazos de carência estendidos. Também podemos, a nível de Legislativo, criar regras para a redução das taxas estaduais e de registro de empresas na JUCEG [Junta Comercial do Estado de Goiás]”, explica Mabel.

Felipe justifica as sugestões com o argumento de que uma condução eficaz dessas ferramentas de política pública podem, de um lado, favorecer o surgimento de novos negócios e oportunidades de geração de renda e, do outro, consolidar um modelo de prática de atividade física destinado a prevenir doenças. “Você oferece a possibilidade para que jovens educadores físicos montem seu próprio negócio, gerando empregos. Na outra ponta, promove qualidade de vida e uma diminuição da incidência de doenças cardiovasculares, que são as que mais matam no país”, avalia o pré-candidato. 

À medida que o esporte de rua ganha espaço nas cidades e movimenta uma cadeia econômica cada vez mais diversificada, o tema também passa a integrar o debate sobre políticas públicas e desenvolvimento urbano. A expectativa é que propostas voltadas à ampliação da infraestrutura, ao incentivo ao empreendedorismo e à promoção da atividade física ganhem destaque durante a campanha eleitoral, diante do potencial do setor para gerar emprego, renda e melhorar a qualidade de vida da população.