A recente operação dos EUA na Venezuela, que culminou na captura do presidente Nicolás Maduro, continua a gerar ondas de choque na geopolítica mundial. Kirill Dmitriev, influente assessor de política externa de Vladimir Putin, não poupou críticas à ação americana, sugerindo que o verdadeiro objetivo por trás da intervenção está intrinsecamente ligado ao vasto potencial petrolífero venezuelano.

Em declarações incisivas, Dmitriev questionou a postura de diversos líderes europeus e britânicos, contrastando-a com os valores que frequentemente apregoam.

"É hora de observar os dois pesos e duas medidas em tempo real" - escreveu Dmitriev, em seu perfil no X.

A declaração do assessor russo ecoa um sentimento de desconfiança em relação às motivações dos EUA, levantando dúvidas sobre a legitimidade de suas ações em solo venezuelano.

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Ainda no sábado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia já havia se posicionado contra o que classificou como um "ataque americano". A reação russa não tardou, com o próprio presidente Donald Trump confirmando a captura de Nicolás Maduro e sua remoção do país.

O Petróleo como pano de fundo

Dmitriev fez questão de lembrar que a Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, superando em sete vezes as reservas americanas. As sanções impostas pelos EUA teriam artificialmente mantido a produção venezuelana em patamares baixos, contrastando com seu potencial máximo.

Em uma análise estratégica, Dmitriev apontou que a soma da capacidade produtiva da Venezuela e dos EUA poderia controlar cerca de 20% da oferta global de petróleo, quase o dobro da produção da Arábia Saudita. Tal cenário conferiria aos EUA uma influência descomunal sobre o mercado petrolífero mundial.

"Os EUA simplesmente governarão a Venezuela por enquanto" - destacou Dmitriev, referindo-se a uma declaração de Trump.

A fala de Trump explicita a intenção americana de assumir o controle da Venezuela, intensificando as preocupações sobre a soberania do país sul-americano.

Críticas aos líderes europeus

O assessor de Putin também direcionou suas críticas aos líderes europeus, questionando sua postura em relação ao ataque americano. Dmitriev ironizou a aparente falta de reação de figuras como Ursula von der Leyen, Kaja Kallas, Friedrich Merz e Keir Starmer, contrastando-a com seus discursos sobre valores europeus e britânicos.

"Que venham agora Ursula, e Kaja, Merz e Starmer, falar sobre valores europeus e britânicos. Seus falsos valores estão à venda" - disparou Dmitriev.

Em uma referência à peça "Esperando Godot", de Samuel Beckett, Dmitriev comparou a expectativa de uma reação firme dos líderes europeus à espera interminável pelo personagem que nunca aparece. A metáfora sugere que a inação dos líderes europeus é uma farsa, revelando uma subserviência aos interesses americanos.