No último sábado, 3 de janeiro de 2026, a política sul-americana foi sacudida por um evento inesperado: a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em um ataque coordenado pelos Estados Unidos. A operação desencadeou uma onda de reações contrastantes, expondo as profundas divisões ideológicas que permeiam a região.

Enquanto alguns países expressaram forte condenação à ação americana, outros manifestaram apoio ou, no mínimo, cautela. A diversidade de respostas reflete a complexa teia de alianças e divergências que caracterizam o cenário político latino-americano.

Condenações e Apelos à Paz

Brasil, Colômbia e Uruguai emergiram como vozes críticas da intervenção dos Estados Unidos. O presidente Lula, do Brasil, classificou a ação como um "limite inaceitável" e alertou para o perigoso precedente que ela estabelece.

Leia Também:

"Atacar países em flagrante violação do direito internacional é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade" - afirmou o presidente Lula.

Na mesma linha, o presidente colombiano, Gustavo Petro, expressou sua indignação e mobilizou forças de segurança para a fronteira, preparando-se para um possível fluxo de refugiados. O Uruguai, adotando um tom mais moderado, também manifestou sua discordância com a ação.

Apoio e Celebração

Em contrapartida, governos alinhados com a administração de Donaldo Trump, como os da Argentina, Paraguai e Equador, celebraram a remoção de Maduro do poder. O presidente argentino, Javier Milei, expressou seu "total apoio à moção dos Estados Unidos", enquanto seus aliados regionais manifestaram confiança na vitória da oposição venezuelana nas eleições de 2024.

O presidente equatoriano, Daniel Noboa, chegou a afirmar que "a hora de todos os criminosos narcochavistas está chegando", demonstrando um alinhamento ideológico claro com a política externa americana. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, classificou a queda de Maduro como "uma boa notícia" e ofereceu sua colaboração para a transição para um regime democrático.

Um Continente Dividido

O caso do Chile ilustra de forma emblemática as divisões que atravessam a América Latina. O presidente de esquerda em fim de mandato, Gabriel Boric, condenou o ataque, enquanto o ultradireitista José Antonio Kast, que assumirá a presidência em março, celebrou a prisão de Maduro.

"Sua permanência no poder, sustentada por um regime narco-ilegítimo, expulsou mais de 8 milhões de venezuelanos e desestabilizou a América Latina por meio do narcotráfico e do crime organizado" - afirmou Kast.

A captura de Maduro e as reações que se seguiram expuseram as fraturas políticas e ideológicas que persistem na América do Sul. A região se encontra em uma encruzilhada, com diferentes visões sobre como lidar com a crise venezuelana e qual o papel dos Estados Unidos na região. O futuro da Venezuela e da estabilidade regional permanece incerto, enquanto os líderes sul-americanos buscam um caminho a seguir em meio a um cenário complexo e polarizado.